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Jornal Brasil

Desembolso da FAPESP com pesquisa científica triplica em 10 anos

Publicado em 26 agosto 2014

Com uma receita de R$ 1,16 bilhão em 2013 – 7% superior à de 2012 –, a FAPESP elevou em 6,5% os recursos financeiros destinados em um ano para pesquisas científicas e tecnológicas desenvolvidas no Estado de São Paulo.

O desembolso atingiu R$ 1,10 bilhão, segundo dados do Relatório de Atividades 2013, que será lançado nesta quarta-feira (27/08), às 17h, na sede da Fundação, com uma exposição de reproduções de obras da artista plástica Renina Katz que ilustram a publicação.

O relatório mostra que os recursos financeiros transferidos pelo Tesouro Estadual – equivalentes a 1% da receita tributária do Estado de São Paulo, conforme determina a Constituição – respondem por 82% da composição da receita da Fundação.

Em 2013, o repasse somou R$ 957,04 milhões. Os 18% restantes são compostos por recursos próprios, como receitas patrimoniais (R$ 64,28 milhões) e outras fontes de recursos (R$ 146,99 milhões), como os decorrentes de convênios com agências de fomento, empresas e outras instituições para cofinanciamento de pesquisas colaborativas, em que a parcela do parceiro é repassada para a FAPESP administrar.

“O investimento feito pela FAPESP contribui com a eficiência da pesquisa realizada em São Paulo sobre temas de forte impacto intelectual, social e econômico, três vertentes essenciais para o progresso do Estado, que é responsável por 50% do conhecimento criado no Brasil”, diz o presidente da Fundação, Celso Lafer.

Em 2013, a FAPESP recebeu 20.070 pedidos de apoio a projetos de pesquisa. Foram assinados 12.393 novos contratos de apoio, solicitados no ano e em anos anteriores, e estavam em andamento 11.840 bolsas, contratadas no ano e em anos anteriores.

Direcionamento dos recursos

Pouco mais do que a metade (52%) do desembolso foi direcionado a pesquisas com claro potencial de aplicação em diversas áreas do conhecimento, por meio de 15 programas, entre eles os que estimulam a pesquisa inovativa em pequenas empresas, promovem a parceria entre empresas e universidades e apoiam estudos que subsidiam a formulação de políticas públicas em áreas como Saúde, Educação e Meio Ambiente.

Mais de um terço (39%) dos recursos foi repassado a 12 modalidades de fomento que qualificam a formação de recursos humanos e estimulam a pesquisa acadêmica, visando ao avanço do conhecimento. E 9% foram investidos em programas voltados para a infraestrutura de pesquisa, para assegurar a infraestrutura necessária à continuidade das pesquisas no Estado de São Paulo com excelência.

“O apoio da FAPESP beneficia universidades e instituições de pesquisa e de ensino superior paulistas, sejam elas mantidas pelo Estado de São Paulo ou pela União, bem como as confessionais e particulares”, diz Lafer.

As pesquisas realizadas no âmbito das três universidades estaduais receberam 75% do total do desembolso – R$ 831,11 milhões, sendo R$ 516,96 milhões para a Universidade de São Paulo (USP), R$ 161,83 milhões para a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e R$ 152,32 milhões para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Pesquisadores dos institutos estaduais de pesquisa receberam R$ 58,42 milhões (5% do total). Os principais atendidos foram o Instituto Butantan, o Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o Instituto Agronômico (IAC) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).

Os projetos de instituições federais de ensino superior e pesquisa sediadas em São Paulo ficaram com 13% do total – R$ 141,14 milhões –, com destaque para a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que recebeu R$ 58,73 milhões, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com R$ 35,63 milhões, e os institutos ligados ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que receberam R$ 27,10 milhões.

“Aproximadamente um terço dos recursos da FAPESP, R$ 339,43 milhões, foi aplicado em pesquisa na área de saúde, trazendo benefícios diretos ao atendimento médico público”, diz Lafer. Além disso, as outras áreas do conhecimento mais contempladas foram Biologia, com 16,07% (R$ 177,25 milhões); Ciências Humanas e Sociais, com 10,20% (R$ 112,54 milhões); Engenharia, com 9,69% (R$ 106,85 milhões); e Agronomia e Veterinária, com 9,34% (R$ 102,98 milhões).

Pesquisa colaborativa

A Fundação encerrou o ano com 123 acordos de cooperação vigentes (36 nacionais e 87 internacionais), além de cinco memorandos de entendimento, cartas e protocolos de intenção, com universidades e instituições de pesquisa – para estímulo ao intercâmbio acadêmico – e com empresas e agências de fomento – para cofinanciamento de projetos de pesquisa de alto impacto.

Desse total, 22 foram assinados em 2013 – 19 com instituições de 11 diferentes países, entre eles quatro com os quais a FAPESP ainda não tinha parcerias formalizadas (Japão, África do Sul, Austrália e Chile).

“A internacionalização é fundamental para aumentar o impacto acadêmico da pesquisa produzida em São Paulo, a fim de incrementar o diálogo de cientistas paulistas com seus colegas de outros países, principalmente aqueles que se encontram na ponta do conhecimento científico do mundo”, diz Lafer.

Oitenta por cento dos 55 editais publicados em 2013 ofereceram apoio para pesquisa em colaborações internacionais e intercâmbio científico – 55% a mais que em 2012.

Um efeito desses esforços empreendidos pela FAPESP é o aumento de interesse pelo intercâmbio científico. A Fundação apoiou 2.307 projetos dessa natureza, 15% a mais que em 2012.

Os seminários chamados FAPESP Week – outra iniciativa da Fundação para promover a conexão entre cientistas de São Paulo e de outras nações e dar visibilidade aos trabalhos já realizados em parceria – reuniram cerca de 600 cientistas em 2013 no Japão, Reino Unido e Estados Unidos.

Inovação

“Um dos princípios fundamentais da FAPESP ao longo dos seus 52 anos de existência tem sido o de dar importância similar às pesquisas básicas e às feitas com vistas a aplicações. Mas, sem dúvida, devido ao atual estágio da competitividade econômica internacional, é estratégico para o país e para São Paulo dar atenção particular à inovação e à aplicação da pesquisa”, diz Lafer.

O programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e os eventos chamados Diálogo sobre Apoio à Pesquisa para Inovação na Pequena Empresa contribuem tanto para ampliar o número de pequenas empresas interessadas em desenvolver pesquisas, que podem reverter em novos produtos ou processos que beneficiarão a economia e a sociedade, como para impulsionar projetos com qualidade. Em 2013, dobrou o número de projetos contratados nessa modalidade, chegando a 167.

Os 17 novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), anunciados oficialmente em 2013, reúnem 499 cientistas do Estado de São Paulo e 68 de outros países dedicados a estudos de excelência em diversas áreas em um exemplo de complementaridade entre pesquisas básica e aplicada. Ao longo de 11 anos, os centros receberão cerca de R$ 1,4 bilhão.

No ano também foram anunciados quatro Centros de Pesquisa em Engenharia em áreas estratégicas para o desenvolvimento tecnológico do Estado de São Paulo. Esses centros, em um claro exemplo da integração com o setor produtivo, receberão investimentos de R$ 114 milhões, compartilhados entre a FAPESP e as empresas parceiras, por um período de cinco a dez anos.

Já os programas permanentes da FAPESP de pesquisa em bioenergia, biodiversidade e mudanças climáticas globais se consagraram como referência nacional e internacional ao serem convidados a integrar importantes grupos nacionais e internacionais de discussão e definição de recomendações no que diz respeito à expansão sustentável de biocombustíveis, variabilidade climática no Brasil e no mundo, compreensão dos biomas brasileiros e sobre o passado da Amazônia, entre outros temas.

Lançamento oficial e exposição

O lançamento do Relatório de Atividades 2013 da FAPESP ocorrerá nesta quarta simultaneamente à abertura da exposição de 30 reproduções de obras da artista plástica Renina Katz, que ilustram a publicação. A exposição permanecerá aberta ao público, gratuitamente, de 28 de agosto a 25 de setembro, das 9h às 17h.

Gravadora, desenhista e ilustradora, Renina Katz é carioca, mas vive em São Paulo desde 1951. Ela concentrou grande parte de sua obra em preocupações de ordem social, com caráter realista e emotivo e tratou de temas como os retirantes, as favelas, o universo dos trabalhadores. Depois, deixou o realismo social e sua arte adotou um caráter não figurativo e de jogo de transparência. Iniciou a produção de litogravuras na década de 1970, tendo principalmente paisagens como temas. Foi professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP de 1956 a 1984.

“Para a FAPESP, a obra de Renina Katz tem especial significado por sua autora ter tido, além de uma carreira artística excepcional, uma vida acadêmica bem estabelecida e produtiva, tendo ajudado a formar pessoas no ensino e na pesquisa, que são as atividades-fim amparadas pela Fundação”, diz Lafer.

Em edições anteriores, a publicação já homenageou Francisco Rebolo, Aldo Bonadei, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Anita Malfatti, Arcangelo Ianelli e Tomie Ohtake.

O Relatório de Atividades 2013 da FAPESP pode ser lido em: www.fapesp.br/publicacoes


Fonte: Agência FAPESP