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Desconhecimento sobre exames preventivos aumenta risco de câncer de colo do útero

Publicado em 01 dezembro 2010

Por Moura Leite Netto

Falta de informação sobre a importância do exame de Papanicolau, ausência de sintomas, vergonha e medo de contrair doença durante exame são alguns dos principais fatores que levam às mulheres a negligenciar a ida ao ginecologista, dificultando o diagnóstico precoce da doença

Com mais de 18 mil novos casos por ano, o câncer de colo do útero é o terceiro mais comum - depois de pele e mama - entre as mulheres brasileiras. Seu aparecimento está bastante associado a fatores sócio-culturais e econômicos representados pela falta de informação sobre como fazer e importância do Papanicolau, ausência de sintomas e falta de clareza sobre mitos associados à doença, conforme aponta estudo do Hospital A.C.Camargo sobre os fatores de risco implicados com o atraso no diagnóstico. De acordo com a farmacêutica, a falta de informação sobre a importância dos exames foi igual para as mulheres que estavam se tratando no hospital público, de Barretos, e no privado, o A.C. Camargo.

Em sua dissertação de mestrado pela Fundação Antônio Prudente/Hospital A.C.Camargo, a farmacêutica especialista em oncologia Andrezza Viviany Lourenço, do Instituto Sul Paranaense de Oncologia (ISPON) - sob orientação do professor da pós-graduação e cirurgião oncológico, José Humberto Tavares Guerreiro Fregnani - analisou dados de 178 pacientes - 92 do A.C.Camargo e 86 do Hospital de Câncer de Barretos - atendidas nestas instituições entre fevereiro de 2009 e janeiro de 2010. Destas, 74 com diagnóstico de câncer e 104 com lesões precursoras (doença no estágio inicial).

Andrezza traçou um perfil dos principais fatores relacionados com o atraso no diagnóstico e identificou que estão associados com a precariedade de uma política de saúde que priorize o esclarecimento de dúvidas da população sobre prevenção. "Em contrapartida, as mulheres com lesões precursoras apresentam maior conhecimento sobre exame de Papanicolaou e sobre o risco de contaminação pelo vírus HPV quando comparadas às mulheres com diagnóstico de câncer no colo do útero", destaca. Por outro lado, mulheres que já tinham tratado qualquer outra doença sexualmente transmissível tiveram menos risco de deixar a doença se desenvolver até o estágio avançado.

Em sua abordagem, a pesquisadora apontou 6 fatores de risco para o diagnóstico tardio:

- Não saber a diferença entre exame ginecológico e exame de Papanicolaou

- Não achar importante fazer o Papanicolaou

- Idade igual ou superior a 35 anos

- Ausência de sintomas e em razão disso não fazer exames preventivos

- Ter antecedente de laqueadura*

- Ausência de tratamento prévio de DST**

*Pode haver falsa sensação de proteção deste método contra DST e consequentemente a queda no uso de métodos de barreira, bem como redução no acompanhamento médico ginecológico

**O histórico de tratamento de DST pode necessitar acompanhamento e orientações médicas pode possibilitar às mulheres maior percepção da necessidade de realizar o exame de Papanicolaou e maior conhecimento e cuidado com a própria saúde.

Observou-se no estudo que a prevalência (ou presença) de lesão invasora no colo do útero aumentou gradualmente de acordo com o número de fatores de risco acumulados, conforme tabela a seguir.

O estudo revela também que a presença de lesão invasora (câncer) entre as entrevistadas aumentou gradualmente de acordo com o número de fatores de risco acumulados.

Sobre o Hospital A.C.Camargo - Instituição filantrópica criada em 1953 por Antônio e Carmen Prudente, o Hospital A.C.Camargo é um dos maiores centros de tratamento oncológico da América Latina. De forma integrada e multidisciplinar, atua na prevenção, diagnóstico e tratamento ambulatorial e cirúrgico dos mais de 800 tipos de câncer identificados pela Medicina, divididos em mais de 40 especialidades. A cada ano identifica e trata 14 mil novos casos da doença, com pacientes de diversas partes do país e exterior, totalizando mais de 950 mil atendimentos (consultas, exames laboratoriais e por imagem, internações, cirurgias, quimioterapia e radioterapia, entre outros). Seu corpo clínico é composto por uma equipe fechada de 403 médicos especialistas, a maior parte com mestrado e doutorado. A dedicação e interação destes profissionais em atividades interdisciplinares resulta em um tratamento com melhores índices de sucesso, só comparáveis aos observados em centros oncológicos da América do Norte e Europa.

Na área de ensino, o A.C.Camargo criou a 1ª Residência em Oncologia do país, em 1953, e é responsável pela formação de um em cada três oncologistas em atividade no Brasil. Sua pós-graduação, criada em 1997, é a única em um hospital privado reconhecida pelo Ministério da Educação e foi avaliada com nota máxima durante toda essa década pela CAPES, tornando-se assim, entre escolas públicas e privadas, a melhor do país em Oncologia e uma das duas melhores em Medicina. Tem a maior produção científica da área, com mais de mil trabalhos publicados na última década nas principais revistas internacionais de alto impacto. Centralizou em 2000 o Genoma do Câncer no Brasil, financiado pela Fapesp e Instituto Ludwig, instituição de pesquisas em câncer que o A.C.Camargo abrigou por mais de 20 anos.

Em 2009, o Hospital foi apontado pela edição 500 Melhores Empresas da revista Istoé Dinheiro como uma das melhores em Saúde pelo terceiro ano consecutivo. No mesmo ano foi eleito pelo Guia Você S/A Exame como uma das Melhores Empresas para Você Trabalhar e pela segunda vez consecutiva está entre as 10 melhores empresas de serviços médicos do Brasil na Gestão de Pessoas, de acordo com o anuário Valor Carreira.

Mais informações ao público: www.accamargo.org.br