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Desconforto que não se sente

Publicado em 01 agosto 2010

Agência Fapesp

Algumas características ambientais de praças e parques, como temperatura, umidade relativa do ar, radiação solar, presença e localização de equipamentos, podem influenciar a utilização desses espaços públicos abertos.

Uma pesquisa realizada na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade Estadual Paulista (Unesp) caracterizou os microclimas e as condições de conforto térmico em espaços públicos de permanência (arborizados e áridos) e de passagem em três cidades do interior paulista: Campinas, Bauru e Presidente Prudente.

De acordo com Lucila Chebel Labaki, professora titular da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, o confronto entre as condições de conforto real e calculado e a percepção dos usuários em relação à sensação e à satisfação térmica aponta uma diferença significativa entre os espaços.

O que nos chamou a atenção é que, apesar de os dados calculados evidenciarem de uma maneira geral um grande desconforto térmico nesses espaços, causado pelo frio ou calor, a maioria dos usuários relatou se sentir confortável, disse Lucila à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo).

Segundo ela, o estudo sugere que o prazer de estar em espaço público, associado ao tempo livre, decorre de uma somatória de fatores, dentre os quais o microclima, mas esse não é decisivo para a percepção de conforto.

Lucila coordenou a pesquisa Conforto térmico em espaços públicos abertos: aplicação de uma metodologia em cidades do interior paulista, apoiada pela Fapesp por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa Regular.

Colaboraram com o estudo as professoras Maria Solange Gurgel de Castro Fontes, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Unesp em Bauru, Carolina Lotufo Bueno Bartholomei, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp em Presidente Prudente, e alunos da pós-graduação e graduação.

Além de caracterizar os espaços escolhidos, o estudo monitorou condições microclimáticas (temperatura do ar, umidade relativa e velocidade do ar, radiação solar) ao utilizar o índice PET (Temperatura Equivalente Fisiológica, da sigla em inglês), que engloba uma série de fatores como temperatura, umidade relativa do ar, radiação solar, entre outros para avaliar o conforto térmico.

Além disso, também foram aplicados questionários junto aos usuários dos espaços para identificar a sensação e satisfação térmica em diferentes condições de tempo (frio e seco, quente e úmido, quente e seco).

Segundo Lucila, o conforto térmico depende de quatro fatores ambientais: temperatura do ar, temperatura radiante média, umidade relativa do ar e velocidade do ar.

Temperatura radiante média é o valor médio entre a radiação térmica que incide sobre as superfícies do local objetos e seres vivos , e as aquece, e a radiação que elas emitem de volta para o ambiente. Já os fatores pessoais que influem no conforto térmico são roupas e atividade física.

Segundo Lucila, a avaliação do conforto térmico nesses espaços requer não apenas o conhecimento das condições microclimáticas, que são importantes para cálculos térmicos. Exige-se também a análise dos aspectos de cada ambiente e de como influenciam os usos, o tempo de permanência e a percepção dos usuários sobre o lugar, indicou.

Foram analisados três tipos de locais na área urbana de cada cidade, entre 2008 e 2009, levando-se em conta os espaços de permanência com relação aos de passagem e arborizados ou pouco arborizados (áridos).