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Extra (Rio de Janeiro, RJ) online

Descobridor da estrutura molecular do DNA tem genoma seqüenciado

Publicado em 04 junho 2007

PORTO ALEGRE - O biólogo norte-americano James Watson, 79 anos, que junto com o inglês Francis Crick descobriu a estrutura molecular do DNA, teve seu próprio genoma seqüenciado. Segundo a Agência Fapesp, o ganhador do prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1962 recebeu no último dia 31 um DVD com a seqüência. O trabalho foi feito por um grupo de cientistas do Centro de Seqüenciamento do Genoma Humano (HGSC, na sigla em inglês) da Faculdade de Medicina Baylor e da empresa 454 Life Sciences, ambos dos Estados Unidos.

Os cientistas disseram ser esse o "primeiro genoma individual seqüenciado por menos de US$ 1 milhão". A curiosa definição se deve ao fato de que outro genoma pessoal foi seqüenciado no mesmo mês: o do biólogo e empresário J. Craig Venter, que disse, em entrevista à revista "Nature", ter depositado há duas semanas sua seqüência genética no GenBank. O genoma de Watson também foi depositado na mesma base pública.

Tecnologia e comércio

Apesar de tais anúncios serem eminentemente simbólicos, devido ao custo elevado do processo, eles demonstram uma tendência para o futuro: a produção e comercialização de genomas pessoais.

- Quando começamos o Projeto Genoma Humano, estimamos que levaria cerca de 15 anos para seqüenciar os 3 bilhões de pares de base e identificar todos os genes. Mas completamos o trabalho em 13 anos, em 2003, junto com a comemoração do 50º aniversário da publicação do trabalho de Watson e Crick que descreveu a hélice dupla. Agora, damos a Watson um DVD com seu genoma pessoal. O projeto foi completado em apenas dois meses. Isso tudo demonstra o quanto a tecnologia de seqüenciamento avançou em tão pouco tempo - disse Richard Gibbs, diretor do HGSC.

Ao analisar o genoma de Watson, os cientistas identificaram uma "predisposição ao câncer". O biólogo teve câncer de pele, e sua irmã, de mama. Mas os pesquisadores destacaram ser pouco provável que, apenas pela leitura do genoma, os médicos pudessem prever que tipo de câncer ele poderia ter.

Ética

Os responsáveis pelo seqüenciamento concordam que a iniciativa levanta possibilidades que exigem a discussão dos aspectos éticos envolvidos. Empresas podem, por exemplo, analisar seqüências pessoais para descobrir particularidades sobre a saúde de seus empregados.

"Haverá, certamente, uma série de questões éticas e sociais com as quais nos depararemos conforme passemos a integrar, no futuro, esse tipo de informação com diagnósticos clínicos", disse Amy McGuire, professora de ética médica da Faculdade de Medicina Baylor.