Notícia

Correio do Estado (Campo Grande, MS)

Descoberto novo inseto em mata de RibeirãoPreto

Publicado em 04 junho 2005

Ambiente — A espécie foi coletada há mais de dois anos como parte do trabalho que integra o Projeto Biota-Fapesp, para descobrimento de novas espécies

Um novo inseto, que se desenvolve nas correntezas de rios e córregos, foi descoberto por biólogos da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto e da Universidade Federal de Viçosa (MG). A espécie foi coletada há mais de dois anos na Mata de Santa Tereza, em Ribeirão, e o trabalho, que integra o Projeto Biota-Fapesp, para descobrimento de novas espécies. O nome dado ao inseto é Baetodes santatereza. "Existem pelo menos mais dois novoas insetos na fase de conclusão da pesquisa", diz um dos pesquisadores, o biólogo Cléber Polegatto, da USP de Ribeirão.
Antes que fossem tiradas todas as dúvidas, o inseto era citado como "efemérida", por pertencer ao grupo Ephemeroptera. O trabalho com a descoberta será publicado por revistas especializadas em breve, inclusive com toda a morfologia do inseto, para se evitar confusões futuras. Outro estudo a ser publicado é o de um inseto do gênero Baetodes, descoberto em Morretes (PR), mas ainda sem nome de espécie definido. Outros insetos, do mesmo grupo, mas de outras espécies, de vários locais (inclusive de outros Estados), estão sendo pesquisados.
"Existem alguns semelhantes, mas precisamos ver se são os mesmos", informa Polegatto. Pelo menos duas novas pesquisas devem ser concluídas nas próximas semanas.
O Baetodes santatereza, que mede um centímetro, no máximo, tem como uma de suas características principais agüentar fortes correntezas, pois se fixa nas pedras dos rios de maneira eficaz. Esse inseto achatado e comprido, tem cor marrom-escuro. Alimenta-se de algas e fungos da própria pedra e vive, geralmente, de um a dois meses. Após criar asas, sai da água e vive ao redor do rio, onde se reproduz, recomeçando o ciclo da espécie. Para que essa espécie se perpetue, é necessário que exista a preservação da mata ciliar dos rios.
A Mata Santa Tereza, onde foi descoberto o inseto, tem 150 hectares de mata atlântica e é uma unidade de conservação, classificada como ecológica e é gerida pelo Instituto Florestal do Estado de São Paulo. Nessa mata já foram encontradas 120 espécies de borboletas, além de besouros, vespas, mariposas e cerca de 20 formigas e 40 aranhas.
Também foram encontrados mosquitos de importância médica, segundo Polegatto, como o da leishmaniose e o tipo "dengue da mata" (sem potencial para transmitir doenças).