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Descobertas plantas que repelem o greening

Publicado em 13 setembro 2016

O greening, considerada a mais destrutiva doença que afeta a produção citrícola mundial pode enfim ser combatido. Isso porque pesquisadores encontraram uma nova estratégia de combate ao vetor da bactéria responsável pela doença, o enxerto de três espécies de plantas cítricas que produzem um óleo que repele o inseto. O estudo é inicial, mas demonstra alto potencial para o futuro.

Com o objetivo de compreender os efeitos dos óleos essenciais produzidos por 22 espécies do gênero Citrus, entre elas a laranja, o limão e a tangerina, alguns pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) juntamente com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), fizeram uma analise da composição química destes elementos.

A ideia foi entender os efeitos dessas substâncias nos organismos que interagem com as plantas, entre eles, o Diaphorina citri, psilídeo vetor da bactéria Candidatus liberibacter spp, causadora do greening. “A composição química dos óleos voláteis dos 22 genótipos de citros e de outros gêneros afins era pouco diferenciada até então”, disse Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva, do Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia (CCET) da UFSCar e coordenadora do INCT. “A aplicação de métodos estatísticos e matemáticos em dados de origem química, nos ajudaram a compreender melhor essas substâncias e sua capacidade de atrair ou repelir o vetor da doença”, acrescentou.

Durante as pesquisas o grupo encontrou três genótipos menos interessantes para o psilídeo. Em comum, a presença de compostos encontrados apenas em seus óleos essenciais. que podem agir como repelente, tornando os óleos menos atraentes para o inseto. “A atração pelos óleos de Citrus reticulata e citrumelo Swingle foi muito baixa, o que nos levou a considerar uma capacidade repelente dos seus compostos e seu potencial para o desenvolvimento de estratégias de proteção das plantas com base nesse conhecimento”, diz Maria Fátima.

De acordo com a pesquisadora, a descoberta de óleos que não são de interesse do inseto pode ser importante para o aprimoramento da enxertia. “Na ausência de uma planta fortemente resistente ao greening, poderiam ser produzidos enxertos com aquelas que, agora, sabemos ter algum efeito repelente contra seu vetor.”

O cultivo de citros no Brasil é feito, em sua maioria, com o uso de enxertos, método de formação de mudas em que o broto de uma planta é implantado na base de uma muda de uma segunda planta, geralmente de outra espécie. A enxertia pode ser utilizada para gerar mudas de plantas de difícil reprodução ou para aproveitar características das duas espécies.

Vale lembrar que ainda não existe uma variedade comercial de citros resistente ao greening. Os pesquisadores trabalham agora para realizar mais análises em um eletroantenograma, equipamento que permite avaliar a resposta da antena de insetos a estímulos químicos, com o objetivo de descobrir por que esses óleos provocam a repelência. Quando associado à cromatografia e sabendo-se que determinado extrato de planta repele um inseto-alvo, esse extrato pode ser analisado por meio da tecnologia para que seja identificada qual molécula em específico é responsável por provocar a resposta.


Fonte Rural BR