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Agência USP de Inovação

Descoberta nova ação de ferro presente em todas as células humanas.

Publicado em 17 agosto 2018

Por Maria Fernanda Ziegler

Um estudo realizado no Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP – demostrou que o ferro lábil também apresenta ação antioxidante quando reage com o peroxinitrito.

Além de ser um potente oxidante, o peroxinitrito dá origem a outros radicais livres reativos. Fisiologicamente, isso quer dizer que essa classe de ferro também combate outras substâncias oxidantes.

A descoberta feita pela equipe do Redoxoma tem impacto no conhecimento de processos celulares importantes, uma vez que toda célula contém e controla o nível dessa fonte de ferro.

Toledo explica que o peroxinitrito é um oxidante biologicamente relevante por ser produzido por dois radicais livres – óxido nítrico (NO) e superóxido –, aos quais a maioria das células é normalmente exposta.

“Toda célula humana tem ferro lábil e toda célula está exposta ao NO e superóxido em algum momento. Portanto, o peroxinitrito é produzido em células, principalmente em casos de infecção ou inflamação em que as células do sistema imunológico produzem tanto NO quanto superóxido para combater microrganismos e produzir oxidantes”, disse Toledo.

“A ação antioxidante do ferro lábil altera alguns conceitos e pode ter impacto sobre processos biológicos que envolvam o óxido nítrico, o peroxinitrito e o ferro lábil”, disse.

No estudo, os pesquisadores investigaram a interação entre o ferro lábil e o peroxinitrito em cultura celular de macrófagos. O grupo também fez experimentos em um sistema não celular, nas mesmas condições e usando os mesmos indicadores.

A partir do uso de quelantes – reagentes químicos que formam um complexo com ferro lábil e alteram suas propriedades –, a equipe conseguiu “remover” o ferro lábil e verificar aumento de oxidação. A oxidação foi monitorada por espectroscopia de fluorescência com a ajuda de indicadores fluorescentes.

“A descoberta permite o desenvolvimento de uma nova linha de pesquisa relacionada à ação antioxidante do ferro lábil. Vamos fazer estudos fundamentais sobre velocidade das reações, descobrir se essa classe de ferro reage também com derivados radicalares do peroxinitrito e, levando em conta que as células têm quantidades diferentes desse ferro, vamos verificar se a ação antioxidante dele frente ao óxido nítrico é proporcional a essa quantidade”, disse Toledo.

Matéria completa na Agência FAPESP.

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP