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Descoberta da Unicamp favorece tratamento de diabetes e obesidade

Publicado em 26 junho 2021

Dados do Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF) colocam o Brasil como 5º país em termos de incidência da doença no mundo, com 16,8 milhões de adultos entre 20 e 79 anos.

Mas uma descoberta feita na Unicamp pode ajudar a abrir caminho para novos tratamentos não apenas da diabetes tipo 2, mas também a doenças crônicas ligadas ao metabolismo, como a obesidade. A pesquisa, que integra pós-doutorado do educador físico Carlos Henrique Grossi Sponton, realizado na Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), mostra que uma proteína secretada pelo chamado tecido adiposo marrom é capaz de se comunicar com o fígado, favorecendo a perda de peso e controlando a glicose e os lipídios em circulação.

Sponton é docente do programa de pós-graduação em Biologia Funcional e Molecular do Instituto de Biologia da Unicamp e pesquisador do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC) da Fapesp.

O tecido adiposo marrom é responsável pela produção do calor corporal em recém-nascidos. Em 2009, foi identificado também em adultos. Para produzir calor, o corpo precisa aumentar o gasto de energia, e isso poderia resultar na perda de peso. Mais importante, ele também libera moléculas que têm papel regulatório no organismo para além da produção de calor.

“As moléculas secretadas pelo tecido adiposo marrom têm uma ação semelhante à dos hormônios, comunicando-se com outros órgãos”, diz Sponton. Foram essas moléculas os objetos principais do seu trabalho, que contou com a participação de cientistas norte-americanos e japoneses.

Simplificadamente, o mecanismo de comunicação entre o tecido adiposo marrom e o fígado leva a um aumento do gasto energético do organismo – e consequentemente à perda de peso e à redução de gordura corporal.

Futuro

A expectativa é que a descoberta possa tratar doenças nas quais o metabolismo lipídico ou da glicose ou o peso estão alterados – como é o caso da síndrome metabólica, do diabetes tipo 2 ou da obesidade. Por enquanto, os estudos em humanos ainda não começaram. Mas a ideia é, se tudo der certo, entregar a proteína já pronta para o organismo realizar suas funções, o que permitirá controlar a dosegem . “A insulina, que também é uma proteína, se vale do mesmo raciocínio”, aponta Sponton.

Tipos de diabetes

A diabetes é classifica em Tipo 1, Tipo 2 e Gestacional.

Na Tipo 1 (também conhecida como diabetes insulinodependente, diabetes infanto-juvenil e diabetes imunomediado) a produção de insulina do pâncreas é insuficiente para o metabolismo do corpo. Seus portadores necessitam de injeções diárias de insulina para manter a glicose no sangue em valores normais, e sem elas, correm risco de vida. Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum em crianças, adolescentes ou adultos jovens.

A Diabetes Tipo 2 (também chamada de diabetes não insulinodependente ou diabetes do adulto) corresponde a 90% dos casos. Ela ocorre geralmente em pessoas obesas com mais de 40 anos – embora na atualidade tenha se tornado mais comum em jovens , em virtude de maus hábitos alimentares, sedentarismo e stress. Neste tipo de diabetes, a produção de insulina pelo pâncreas é suficiente, mas sua ação é dificultada pela obesidade – a chamada resistência insulínica, que é uma das causas da hiperglicemia. Por ser pouco sintomática, esse tipo na maioria das vezes permanece por muitos anos sem diagnóstico e sem tratamento o que favorece a ocorrência de complicações no coração e no cérebro.

A Diabetes Gestacional é caracterizada pela presença de altos níveis de glicose no sangue durante a gravidez. Geralmente, esses níveis voltam ao normal após o parto, mas as mulheres que a apresentam ou apresentaram correm um maior risco de desenvolver a diabetes Tipo 2 tardiamente, o mesmo ocorrendo com os filhos.

(Com informações da Unicamp)