Notícia

Blog Jornal da Mulher

Descoberta da Famerp pode aumentar o número de rins para transplante e reduzir o tempo de espera em lista

Publicado em 16 abril 2019

Pesquisadores observaram que inflamação mais intensa no rim de doadores ocorre pela maior atividade inflamatória de moléculas que podem ser "desligadas" por medicamentos

Há mais de cinco anos um grupo de pesquisadores, sediado na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), coordenado pelo Prof. Dr. Mário Abbud Filho, desenvolve com importante apoio da Famerp e do Hospital de Base, estudos moleculares e clínicos do transplante renal.

Um dos grandes problemas do transplante renal é o número insuficiente de órgãos para atender à crescente demanda de pacientes em lista de espera. O crescimento desproporcional da lista de espera aumenta o tempo para transplante e, consequentemente, pior qualidade de vida para o paciente, aumento dos custos do tratamento dialítico e maior mortalidade.

Os rins de doadores falecidos em consequência de morte cerebral são utilizados para transplante e atualmente classificados em dois tipos: rins do tipo padrão e rins diferentes do padrão. Esses últimos são classificados como rins com “critérios estendidos”.

A crescente necessidade de órgãos para transplantação motivou a criação de inúmeras estratégias visando aumentar o número de órgãos para transplantes, como a expansão dos critérios de aceitação para doação e o uso de rins de doadores de critério estendido aumentou em todo o mundo.

Entretanto, em alguns centros de transplante, cerca de 20% dos rins desse tipo não são transplantados, sob a alegação, controversa, de que seus resultados são inferiores aos transplantes feitos com os chamados “rins padrão”.

Diante disso, uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Imunologia e Transplante Experimental (LITEX/FAMERP) pode aumentar a esperança dos pacientes que esperam na fila para o transplante de rim.

Os pesquisadores identificaram nos órgãos de doadores de critério estendido maior atividade inflamatória de algumas moléculas que podem ser tratadas com medicamentos para reduzir a inflamação e melhorar qualidade do rim.

Premiado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e pela Sociedade Internacional de Transplantes, o estudo da Famerp mostrou que os rins de critério estendido realmente possuem mecanismos de inflamação mais ativos quando comparados aos rins do tipo padrão. Entretanto, os resultados inéditos identificaram as principais moléculas que podem ser a causa desta maior atividade inflamatória, fornecendo informações sobre a qualidade do rim de doadores falecidos e com isso tentar diminuir a taxa elevada de descarte desse tipo de órgão e possibilitar o tratamento desses rins.

Publicada pelo Transplantation Direct Journal, a pesquisa faz parte de um projeto de doutorado da aluna Greiciane Maria da Silva Florim e é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Principais pontos do estudo

- O estudo descobriu uma maneira de tratar rins que seriam descartados para poder utilizá-lo para transplante;

- Foram cinco anos de estudo na Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp);

- A descoberta pode aumentar o número de rins para transplante e reduzir o tempo de espera em lista.