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Init - Instituto de Inovação Tecnológica

Desburocratizar ICTs garante mais recursos, avaliam especialistas

Publicado em 04 abril 2017

Desburocratizar o funcionamento das universidades e instituições de pesquisa e institucionalizar o apoio a elas garantirá um fluxo contínuo de financiamento, e por consequência, o avanço do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). A avaliação foi feita por especialistas do setor, que discutiram nesta semana, em São Paulo (SP), a respeito das políticas para ciência, tecnologia e inovação (CT&I) no Brasil.

O evento marcou o lançamento do livro “Um aprendiz de Quixote”, uma autobiografia do físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite. Engenheiro eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ele possui vasta experiência no campo de pesquisa em ciência e inovação. “Como descrevo no livro, tenho lutado muito contra a mediocridade que há em muitas universidades e instituições de pesquisa no Brasil e que gera uma burocracia imensa”, disse.

Para ele, o sistema de eleições diretas para reitor, diretor e para outros cargos em vigor na maioria das universidades e instituições de pesquisa do país está defasado. Isso porque contribui para o estabelecimento de um jogo de poder e de troca de favores em que todos querem participar do processo de tomada de decisão. Uma das consequências disso foi a multiplicação de comissões dentro das universidades e das instituições de pesquisa para tomada de decisões que fez com que os valores fossem invertidos.

Cerqueira Leite indicou que as universidades e instituições de pesquisa no Brasil deveriam seguir o modelo americano de seleção de reitores e diretores, por exemplo, que encarrega um grupo de pessoas de identificar as mais aptas para ocupar esses cargos. “É preciso reduzir a democracia imensa gerada pela ‘democratite’, que é uma doença boa, mas que não funciona em um sistema, como o de uma universidade ou instituição de pesquisa, no qual deve ser dado valor ao talento, e não ao jogo de favores e de poder”, avaliou.

Além de eliminar a burocracia, também é preciso institucionalizar a ideia de fazer ciência no Brasil por meio do apoio contínuo às universidades e instituições de pesquisa do país, de modo a assegurar seu funcionamento permanente, apontou José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Estamos com muita dificuldade de institucionalizar o apoio à ciência no Brasil, como está acontecendo agora com o professor Rogério com o projeto Sirius. Esses projetos de vanguarda precisam ter apoio continuado”, indicou. Segundo Goldemberg, umas das formas de se conseguir institucionalizar o apoio à pesquisa é assegurar a vinculação dos recursos para as universidades, instituições de pesquisa e agências de fomento. “Sem recursos vinculados não se consegue fazer planejamento”, ressaltou.

Já a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, defendeu que é preciso ter não só a garantia, mas também um aumento dos investimentos públicos em ciência e tecnologia no país. “A corrente hegemônica de economistas no país não percebe o papel estruturante essencial da ciência e tecnologia para o desenvolvimento econômico do Brasil”, pontuou.

Fonte: Agência ABIPTI, com informações da Agência Fapesp