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G1

Desafio da inovação em saúde em um país de barreiras fiscais e econômicas

Publicado em 17 junho 2016

Inovar é fazer diferente. Pensar o que ninguém pensou e detectar uma necessidade sem solução. Imagine, então, o desafio de criar no Brasil um produto inovador de tecnologia em saúde, capaz de promover o alívio da dor, sem contraindicação?

 

Entender as dificuldades do empreendedor brasileiro em um segmento que depende das regras e legislação da Anvisa, com elevadas cargas tributárias e num cenário econômico pouco convidativo é um desafio colossal.

 

Uma boa ideia de negócio, capital para investir e talento administrativo deveriam ser ingredientes suficientes para encorajar um brasileiro a se transformar num empreendedor, mas infelizmente não é o que acontece.

 

E, ano após ano, milhares de pessoas se lançam no mundo empresarial. Apenas no Estado de São Paulo, cerca de 150 mil empresas de todos os portes surgem no mercado anualmente, sobretudo no setor do comércio (46%) e no setor de serviços (45%).

 

Do total de empresas paulistas, 99% estão enquadradas como micro e pequenas empresas e são responsáveis por 48% dos empregos formais. E, de acordo com os dados do Sebrae, 20% delas terão suas atividades encerradas antes dos dois anos de existência.

 

Muito se fala sobre os obstáculos para o empreendedorismo no nosso País e logo vêm à mente os fantasmas da burocracia, a falta de infraestrutura e problemas com mão-de-obra. O relatório do Banco Mundial intitulado "Fazendo Negócios 2015: Indo Além da Eficiência" afirma que o Brasil ocupa a 120ª posição entre as 189 nações avaliadas. A boa notícia é que, apesar da economia em crise, dos cortes e aumento do desemprego se espalhando nos últimos meses,  alguns empreendedores conseguem inovar e, a despeito de todas as barreiras, dificuldades e o ambiente hostil a negócios, eles conseguem prosperar.

 

E esse fato só é possível porque empreendedores adotam estratégias audaciosas e bem-sucedidas para expandir os seus negócios e investindo, como no caso da Medecell do Brasil, na demanda específica de seus clientes: saúde e bem-estar.

 

A Medecell e seu criador Moacyr Bighetti têm em comum muito mais do que a letra inicial de seus nomes, pensam longe e apostam em inovação. E esta história bem sucedida de atuação arrojada já ultrapassa duas décadas de vida, e vários capítulos estão por vir.

 

Com um perfil visionário e forte vocação para o empreendedorismo, Moacyr criou a Medecell em 1992 para consolidar sua atuação no processo de internacionalização de empresas brasileiras em vários países. Incialmente, sua missão era apoiar as pequenas empresas no acesso ao mercado externo, seja por meio de consultorias quanto na gestão da importação e exportação de seus produtos, posteriormente tornando-se uma empresa de tecnologia e inovação em saúde.

 

A ideia inovadora de Moacyr, à frente da Medecell, foi dedicar-se ao desenvolvimento de uma modalidade diversa de TENS. Surge aí o Tanyx, um produto de tecnologia 100% brasileira: o primeiro e único dispositivo de eletroestimulação portátil, descartável e regulado especificamente para o alívio da dor.

 

A empresa já investiu mais de R$ 10 milhões de reais no desenvolvimento deste dispositivo, bem como na obtenção de patentes e realização de estudos clínicos. Tanyx  já foi aprovado tanto pela Anvisa como pela Federal and Drug Administration (FDA) nos EUA, sendo produzido pela Medecell de acordo com as mais rígidas normas internacionais.

 

Somente no ano de 2015, frente aos investimentos de inovação e pesquisa, a Medecell do Brasil cresceu 200%, gerando mais de  20 empregos diretos e outros 120 indiretos, na fabricação, distribuição, comercialização e marketing de Tanyx. Acompanhando a tendência das empresas scale-up, a Medecell do Brasil nos últimos três anos vem aumentando o número de empregados e o faturamento em cerca de 112%, a cada ano.

 

Enquanto a taxa de desemprego no Brasil bate recordes por meses consecutivos na casa dos 8,7%, na cidade de Botucatu, onde está a sede da Medecell do Brasil, há uma leve retração do desemprego, mantendo a economia local estável. Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Botucatu, Luiz Rogério Perez, "a cidade é formada por empresários conscientes, estruturados e planejados".

 

Novos negócios empreendedores

Um estudo realizado por duas instituições voltadas ao fomento de novos negócios, a Endeavor Brasil, juntamente com o Sebrae-SP, conversou, no final de 2013, com 1.282 pequenos empresários estabelecidos na capital paulista.

O objetivo era saber deles quais as maiores barreiras enfrentadas para o crescimento de seus projetos empresariais e 28 % afirmaram que eram a alta carga tributária e sua complexidade, 24 % relataram a dificuldade de obter recursos e investimentos, 15 % sobre problemas de fluxo de caixa e capital de giro e, em quarto lugar, 12 % reclamaram da falta de mão-de-obra especializada.

 

Portanto, fica nítido que a burocracia, representada pelos muitos impostos e a morosidade da máquina estatal, costuma atravancar o progresso de novos empreendimentos ao invés de alavancá-los.

 

A Medecell, a empresa que detém a patente de Tanyx, muito antes de desenvolver o inovador TENS descartável e autoaplicável, já trabalhava na importação de produtos médicos e mantinha uma operação no Chile, o que possibilitou sua fabricação naquele país com custos mais competitivos do que no Brasil.

 

Outro dado alarmante para os aspirantes a empresários na área de saúde: um registro de medicamento na Anvisa demora mais de um ano.

 

No Chile, segundo Moacyr Bighetti, CEO da Medecell, o processo de registro de Tanyx junto à autoridade sanitária local demorou cerca de 10 dias úteis. Isso, aliado ao fato de uma burocracia mais simples e descomplicada (o processo de importação de insumos no Chile demora cerca de dois dias, enquanto por aqui demoram aproximadamente 10 dias), possibilitou a instalação local da fabricação de Tanyx com parceiros internacionais como a China e EUA.

 

"Os impostos e as questões fiscais do Chile viabilizaram a produção do Tanyx num bom custo benefício, além da rapidez e facilidade da desburocratização. No Brasil, nós jamais conseguiríamos implementar uma fábrica que possibilitasse a produção de uma inovação como a de Tanyx", ressalta Bighetti.

 

Frente a esse cenário moroso e burocrático a Medecell saiu à frente e conquistou a patente de Tanyx em mais de 40 países, com os quais vem conversando e negociando parcerias estratégicas comerciais para a exportação do produto para novos países.

 

Enquanto o prazo médio para a concessão de uma patente nos Estados Unidos é de dois, seis anos, no Brasil esse período é de 11 anos.

 

Uma das causas dessa longa espera se deve ao número de examinadores do INPI e a quantidade de pedidos que estão na fila – o chamado backlog. Em 2012, havia 225 profissionais para avaliar 166.181 pedidos de patentes. Eram 738 pedidos por examinador.

 

Em 2014, caiu o número de examinadores e aumentaram os pedidos: eram 192 profissionais para 184.224. A relação passou para 980 pedidos de patente por examinador.

 

Na Europa, em 2012, eram 363.521 pedidos para 3.987 examinadores. Cada um com 91,2 pedidos para analisar. Enquanto isso, nos Estados Unidos, no mesmo ano, a situação era bem mais confortável: 603.898 pedidos para 7.831 examinadores, ou 77 pedidos por examinador.

 

Dados do Instituto Nacional de Patentes (Inpi), órgão responsável pela concessão de registros no país, indicam que, apesar do crescimento nas últimas décadas, o número de pedidos não ultrapassaram os 40 mil em 2012 e o de concessões, de 4 mil, enquanto os EUA, no mesmo ano teve 2,2 milhões de patentes válidas, seguido do Japão, com outras 1,6 milhões de patentes.

 

E os investimentos e o empreendedorismo de Bighetti não se limitam ao Tanyx, cujos desafios e conhecimentos permitiram ampliar a pesquisa e a inovação em produtos médicos. Com o suporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a  Medecell  está realizando novos estudos clínicos para o desenvolvimento de novos dispositivos médicos com a tecnologia de eletroestimulação portátil para dores de cabeça, outro específico para dores pélvicas e um terceiro para ser utilizado por atletas para a recuperação muscular após a realização de esforços físicos, que em breve serão lançados no mercado nacional e internacional.

 

"Empreender é estar disposto a muito trabalho, muitas vezes com o sentimento de estar sozinho, investindo capital e tempo sem ganhar dinheiro,  para realizar um sonho,  um ideal.  E se tudo der certo a médio ou longo prazo, como consequência, algum retorno financeiro e a sensação de que valeu a pena ter perseverado as adversidades", completa o empreendedor criador de Tanyx.

 

Todos estes fatos fazem com que a Medecell se coloque na contramão dos fatos: enquanto é normal vermos o Brasil importar tendências e tecnologias, exportar comodities para importar produtos mais sofisticados e tecnologias, e as novas tendências acontecerem primeiro em países tidos como de primeiro mundo, a Medecell cria uma nova tendência, desenvolvendo tecnologias, se internacionalizando, registrando patentes e exportando para os países mais desenvolvidos.

 

"Queremos mudar a forma como as pessoas tratam a dor, e estamos trazendo um novo conceito para isso", ressalta Bighetti.

 

Estratégia de negócios de Tanyx

Com endosso da comunidade médica, a estratégia de posicionamento de Tanyx no mercado brasileiro foi muito bem planejada por etapas, que estão possibilitando alianças estratégicas para cada uma dessas fases.

 

Após concluídas as fases de distribuição do produto e visitação aos médicos e especialistas, a Medecell está investindo na divulgação e conhecimento da marca Tanyx para diversos públicos.

 

"A nossa estratégia é de ampliar o conhecimento do tratamento por meio de informação qualificada e, a nossa abordagem será sempre educacional, independente do público", reforça o CEO da Medecell do Brasil.