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Penal em Foco

Depressão pós parto atinge até 35% das mães

Publicado em 04 março 2018

Por João Franco

Pesquisa do Instituto de Psicologia da USP encontrou incidência do transtorno três vezes mais alta em São Paulo

Segundo mateira publicada por Simone Iwasso existe um outro lado da maternidade, distante do mundo cor-de-rosa dos filmes, dos sonhos adolescentes e dos comerciais de televisão. Tem aparecido segundo pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) foi encontrado uma incidência de depressão pós-parto em 32% a 35% delas - um número três vezes mais alto do que o identificado na literatura médica internacional, que varia de 10% a 15%.

São mulheres que, em vez dos sorrisos constantes pela felicidade de ter um bebê em casa, como elas e as famílias provavelmente esperavam, se deparam com crises de choro, irritação permanente, dificuldades para dormir e comer, sensação de desamparo e tristeza e falta de apetite sexual - nos casos mais graves, podem ocorrer tentativas de suicídio e atos de violência contra a criança. Além disso, sentem raiva do bebê, o culpam por sua situação e, muitas vezes, acabam sendo negligentes em relação aos cuidados de que a criança necessita, tratando-a como um fardo. Esse conjunto de sintomas pode aparecer nos primeiros dias após o parto e, se não for cuidado, persistir por até um ano.

E não são só as mulheres que sofrem com essa situação. Uma série de pesquisas indica que essa falta de contato com a mãe nas primeiras semanas traz consequências para o desenvolvimento físico e neuromotor da criança, persistindo nos anos seguintes: interagem menos com adultos, estabelecem menos relações afetivas e têm níveis mais altos de hormônios relacionados ao stress no organismo. Fazer um mapeamento detalhado desses efeitos e o que eles acarretam na relação entre mãe e filho é um dos objetivos da pesquisa da USP, financiada pela Fapesp e pelo CNPq. O trabalho começou no ano passado e deve se estender pelos próximos dois anos.

"O índice de depressão pós-parto que encontramos nas mulheres atendidas foi realmente alto, três vezes maior do que o descrito na literatura médica, e por isso partimos para análise dos fatores que poderiam influenciar no comportamento dessas mulheres", explica a pediatra Maria Teresa Zulini da Costa, pós-doutoranda na USP e uma das pesquisadoras do projeto, coordenado pelas psicólogas Emma Otta e Vera Silvia Raad Bussab. "Encontramos, entre mulheres com depressão pós-parto, um número alto de gestações não programadas e não desejadas, falta de estrutura doméstica, ausência do pai da criança. São mães que acabam tendo de arcar sozinhas com a maternidade", diz.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081123/not_imp282105,0.php