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Dentro das incubadoras, São José prepara um novo salto tecnológico

Publicado em 20 maio 2007

Por Iara Gomes, São José dos Campos

37 empresas desenvolvem projetos variados e geram empregos; faturamento chegou a R$ 3 milhões em 2006

Dez anos depois da criação da primeira incubadora de empresas em São José, uma nova geração de produtos inovadores e de alto conteúdo tecnológico está prestes a sair do "forno". Um ultraleve avançado, avião agrícola e sistemas para pesquisas espaciais são alguns dos novos negócios, que geram investimentos, empregos e impostos na região.
Nas quatro incubadoras do município, 37 empresas desenvolvem projetos nas mais diversas áreas, de biomedicina à tecnologia da informação, e empregam quase 200 pessoas. Algumas já registram faturamento, um total de cerca de R$ 3 milhões em 2006.
Na Incubaero, incubadora voltada para o setor aeroespacial, quatro empresas ganharão a maioridade até o final do ano. Entre elas a Flight Technologies, que desenvolve um sistema eletrônico de informações de vôo --visualizados em telas LCD no painel da aeronave-- e um conjunto de sensores.
A empresa fornece o sistema para a ACS, outra empresa incubada e que desenvolveu um ultraleve avançado de fibra de vidro. A aeronave possui motor a diesel, uma novidade entre os modelos fabricados no país.
Em julho, será realizado o primeiro teste em vôo do sistema eletrônico da Flight integrado ao avião da ACS, batizado de Sora ---céu em japonês. A empresa já recebeu três encomendas do ultraleve.
"Estamos nos preparando para cortar o cordão umbilical. Dentro de 40 dias faremos o primeiro teste do sistema em vôo. Daí, partiremos para o protótipo avançado que será bastante próximo do produto final", disse um dos sócios da Flight Technologies, Osvandre Alves Martins, que junto com os outros dois sócios cursa doutorado no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).
"A Incubaero tem como missão transformar cientistas em empresários", resume o consultor da Fundação Casimiro Montenegro Filho e gerente de implantação da incubadora, Eugênio Brito.
Faturamento - Como contrapartida, empresas se comprometem a fazer uma doação à Incubaero de até 2% do faturamento bruto pelo mesmo período em que ficaram incubadas.
Por ano, a manutenção da incubadora consome R$ 500 mil. A prefeitura contribui com R$ 100 mil e o Sebrae com R$ 60 mil. As empresas, que pagam um aluguel simbólico de R$ 300, contam com salas equipadas com internet banda larga, laboratórios, biblioteca, cursos relacionados à administração dos negócios.
No ano passado, a incubadora conseguiu captar recursos de R$ 1,2 milhão junto à Finep e Fapesp.
Inovação - Um total de 26 empresas já se graduaram nas incubadoras tecnológicas da Univap e da Revap/Univap, que têm como gestora a FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino), as mais antigas do município. Juntas as 13 empresas que já deixaram a incubadora da Univap alcançaram R$ 9,3 milhões de faturamento no ano passado e abriram 300 vagas.
Em 2006, o ISS (Imposto Sobre Serviços) pago pelas empresas incubadas e graduadas somou R$ 207 mil, segundo o gerente da incubadora, Orlando Eugênio de Carvalho. De ICMS, foram outros R$ 349,5 mil.
"Priorizamos projetos de inovação tecnológica, que é o que diferencia um produto do outro e dá a ele maiores chances no mercado", disse. A incubadora da Univap começou a funcionar em março de 1997 e hoje tem nove empresas.
Em 2000, foi inaugurada a Incubadora Tecnológica Univap/Revap, nas instalações da refinaria da Petrobras, que atualmente abriga oito empresas e já formou outras 13. Só nos quatro primeiros meses de 2007, o faturamento atingiu R$ 1,7 milhão. Em 2006, foram R$ 1,3 bilhão e em 2005, R$ 880 mil.
O aumento da receita gera mais impostos para o município. De janeiro a abril de 2007, só de ISS as empresas incubadas pagaram o equivalente a R$ 207 mil. A prefeitura destina R$ 50 mil à incubadora por ano. De ICMS foram pagos esse ano R$ 91,5 mil. As empresas incubadas têm prazo de permanência de três anos, prorrogável por um ano.
Em quatro meses, devolvemos com o imposto cinco vezes o valor investido pela prefeitura. Estamos bancando o futuro
De Luiz Fernando Coimbra, gerente operacional da Incubadora Univap/Revap
Estamos nos preparando para cortar o cordão umbilical. Dentro de 40 dias, faremos o primeiro teste do sistema em vôo. Daí, partiremos para o protótipo avançado que será bastante próximo do produto final
De Osvandre Alves Martins, sócio da Flight Technologies, na Incubaero