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Diário Gaúcho online

Dengue motiva 12 estudos de controle à doença

Publicado em 19 maio 2015

A infestação sem precedentes do mosquito Aedes aegypti, que provoca a maior epidemia de dengue do país, motiva uma série de pesquisas em laboratórios que buscam soluções para uma política de controle integrado da doença.

A Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp) estão movimentando pelo menos 12 estudos em torno do Aedes aegypti. Pesquisadores investigam desde os hábitos das fêmeas transmissoras dos vírus até a genética de machos estéreis — incluindo uma inversão sexual do mosquito. Além disso, entidades como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, a Sanofi Pasteur, na França e o Instituto Butantã também trabalham na busca de vacinas eficientes contra a praga doméstica.

— A inversão sexual do mosquito favorece a produtividade de uma biofábrica de machos estéreis — diz Margareth Capurro Guimarães, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, onde já são produzidos mosquitos esterilizados geneticamente para controlar infestações.

A fêmea do mosquito rajadinho é a vilã no leva e traz dos vírus, segundo a especialista.

A professora da USP chama o estudo de "supressão da espécie", uma vez que, atualmente, é improvável pensar em erradicação do mosquito. Para alavancar os resultados da produção de espécimes machos estéreis, 50% dos ovos produzem fêmeas, por meio de microinjeções em pulpas do Aedes para mudar-lhes o gênero.

Margareth diz que outra investigação está em fase final de testes: a da indução gênica. Essa análise tenta mudar o comportamento do sistema de defesa da fêmea Aedes aegypti para que ela reaja contra o vírus da dengue, morrendo ou eliminando o agressor antes da transmissão pela saliva na próxima vítima. Quando pica, para que o sangue a ajude na maturação dos ovos, ela precisa de um tempo de 10 a 12 dias para se tornar transmissora potencial do vírus.

No Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas da USP, chefiado pelo professor Luiz Carlos de Souza Ferreira, buscam-se novas estratégias de vacina, enquanto que no Instituto de Ciências Biomédicas, outra equipe estuda a dengue no hospedeiro.

— Boa parte do caminho já foi percorrido — explica o pesquisador Jaime Henrique Amorim.

Amorim já conseguiu provocar, em camundongos, reação dos linfócitos T — estruturas do sistema imunológico que matam células infectadas por vírus. De acordo com o pesquisador, esse é um avanço que permite abrir portas para uma vacina com proteção não só de anticorpos. A pesquisa do cientista está integrada ao estudo da vacina tetravalente do Butantã.

*Agência Estado