A partir dos próximos anos, o cenário da dengue em Minas Gerais, doença que assola a população há décadas, poderá mudar de forma efetiva. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) tem apostado que, com a futura inserção em larga escala da vacina de dose única do Instituto Butantan, os casos graves da doença deixem de ser um problema de saúde pública. O otimismo está ligado à testagem do insumo em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, já a partir da próxima semana. A expectativa é que, em 2027, ao menos 2 milhões de doses do imunizante do Butantan sejam entregues no estado.
"No ano que vem, teremos boa parte da população mineira vacinada, com a chegada da vacina do Butatan. Nós teremos uma vacina disponível, com possível distribuição de 20 milhões de doses no país. Em média 2 milhões de mineiros receberão essa vacina, dentro do público da população de 12 a 59 anos", afirmou o secretário de estado de Saúde, Fábio Baccheretti.
O gestor avalia que, por ser um imunizante de dose única, a cobertura vacinal contra a dengue se torna mais fácil. Ele reforça que estudos comprovaram que a vacina nacional apresenta eficácia geral de 74,7%, proteção de 91,6% contra dengue grave e com sinais de alarme, e 100% contra hospitalizações. "No próximo ano, teremos mais pessoas vacinadas, a ponto de que, no futuro próximo, não teremos casos graves de dengue. Sim, poderemos ter pacientes com sintomas da doença, mas sintomas leves. Essa é a nossa expectativa para os próximos anos", cravou.
Melhora na prevenção começa antes em Nova Lima
Nova Lima, na Grande BH, Maranguape, no Ceará, e Botucatu, em São Paulo, foram escolhidos pelo Ministério da Saúde para avaliar o impacto do uso da nova vacina do Butantan, dentro de uma estratégia de ‘imunização acelerada'. O público-alvo será a população de 15 a 59 anos, e o teste será feito com parte do lote de 1,3 milhão de doses já entregue. Na sequência, serão imunizados os profissionais de saúde da atenção primária do SUS.
Na avaliação do secretário Baccheretti, o município mineiro vai colher os frutos de uma vacinação reforçada contra a dengue. "Em Nova Lima, certamente, pelo sucesso da vacina nos testes científicos, haverá muito menos casos ou quase nenhuma internação por dengue quando a cobertura vacinal estiver completa", afirmou.
Segundo ele, a expectativa é que, neste ano, o pico da dengue seja empurrado para abril, e não ocorra em março, como costuma acontecer. "Porque nós estamos ainda com muito poucos casos no início do ano", acrescentou.
Importância da vacinação
O gestor Fábio Baccheretti aproveitou para reforçar a importância da imunização. "Mesmo com a vacinação por público-alvo, cada pessoa vacinada contribui para interromper a transmissão. Quando o mosquito pica alguém imunizado, ele não transmite a doença. Esse bloqueio se espalha, e a queda de casos vai acontecendo", orientou.