Notícia

Agência O Globo

Democracia: suas crises e seus destinos serão os temas mais debatidos no 41º Anpocs. Reestruturação econômica e reforma política também estão em pauta

Publicado em 18 outubro 2017

Democracia – palavra, princípio, sistema político –, um tema que se tornou presença contínua nos debates públicos e privados no último período. Nas universidades brasileiras têm sido questão essencial em pesquisas (novas e antigas) realizadas no âmbito das Ciências Sociais, e ocupará uma diversidade de espaços no 41º Encontro Anual da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais). Como em anos anteriores, o evento acontece em Caxambu, Minas Gerais, entre os dias 23 e 27 de outubro.

"A democracia encontra-se sob questionamento, não ela enquanto valor e telos, mas sim enquanto realidade prática", comenta Fabiano Guilherme Santos (IESP-UERJ), presidente da ANPOCS. Para ele, "nunca esteve tão presente o desafio de se insistir no desiderato da democracia no país" e, para isso, se faz necessária "a diversidade de ângulos pelos quais os cientistas sociais encontram-se desafiados a estudá-la e a refletir sobre ela".

Pela terceira vez consecutiva o Encontro ANPOCS promoverá o Simpósio de Conjuntura, abordando conjuntura jurídico-institucional no dia 24/10; conjuntura política no dia 25/10; e conjuntura social, a ser realizada no dia 26/10. Os debates ocorrem sempre das 17h30 às 19h30 e vão reunir nomes como: Christian Lynch (Iesp-Uerj), Marcelo Neves (UnB), Maria Tereza Sadek (USP), Cláudio Gonçalves Couto (FGV-SP), Conrado Hübner Mendes (USP), Miriam Pillar Grossi (UFSC), Vera Telles (USP), Adalberto Moreira Cardoso (Iesp-Uerj), Antônio Carlos de Souza Lima (UFRJ). A coordenação das mesas fica por conta de Bruno Reis (UFMG) e Ricardo Mariano (USP).

A atual conjuntura pela qual passa o país também tem imposto desafios à prática científica. "Uma das questões que balizam reflexões que terão lugar no Encontro ANPOCS deste ano diz respeito aos cortes e contingenciamentos na verba para a ciência e a tecnologia no Brasil e aos dilemas e desafios impostos à produção do conhecimento científico", destaca Emília Pietrafesa (Unicamp), secretária adjunta da ANPOCS.

Neste sentido, dentre as novidades deste ano estão as atividades (fóruns e colóquio) promovidas pelas associações científicas ABA (Associação Brasileira de Antropologia), SBS (Sociedade Brasileira de Sociologia) e ABCP (Associação Brasileira de Ciência Política). O objetivo é estreitar relações institucionais entre as associações representativas dos pesquisadores e, no caso da ANPOCS, dos programas de pós-graduação e centros de pesquisa em Ciências Sociais.

Dialogando com um cenário que enseja ascensão do conservadorismo, a antropóloga Lia Zanotta Machado (UnB) deve discutir em sua conferência "Por que os antropólogos incomodam?" (CF4), como categorias já consagradas nas Ciências Sociais em geral, e na Antropologia, em específico, como "diversidade cultural", "gênero" e "direitos" estão sendo postas em xeque por grupos de interesse. Dentre os exemplos citados pela pesquisadora está a contraposição à metodologia antropológica de observação participante, contida em relatório recente da Funai/Incra, que trata a posição do antropólogo como "fraude" ou "conluio". E ainda, a acusação dos estudos de gênero como "ideologia de gênero".

Para além de promover um exame criterioso e bem informado da conjuntura do país, o Encontro ANPOCS tem se notabilizado historicamente por discutir resultados de pesquisa que prenunciam fenômenos emergentes e apontam oportunamente suas características e implicações para a vida política e social do país. "A reconfiguração do mundo do crime, a diversificação de modalidades não eleitorais de controles democráticos, o protagonismo do judiciário, entre muitos outros temas, foram amplamente debatidos em GTs e SPGs da ANPOCS antes de se tornarem "fatos" amplamente conhecidos", afirma Adrian Gurza Lavalle (USP), diretor de Publicações da ANPOCS. Assim, o "Encontro ANPOCS é um lugar privilegiado para avaliar as tendências do presente", conclui.

O 41º Encontro Anual da ANPOCS terá sua abertura oficial no dia 23/10, às 20h30, na sala 4 do Anfiteatro Glória, Caxambu (MG). Após as falas dos diretores da ANPOCS, haverá uma discussão sobre a grave situação em que se encontra a pesquisa acadêmica no Brasil, com a redução do financiamento público, o contingenciamento de recursos do MEC (Ministério da Educação) e o desmonte do MCTIC (Ministério da Ciência e Tecnologia Inovações e Comunicações). O debate contará com contribuições de Ildeu de Castro Moreira, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

Na sequência, haverá a cerimônia de entrega do Prêmio ANPOCS de Excelência Acadêmica. O Prêmio foi criado em 2013 para reconhecer e premiar pesquisadores da área por suas contribuições acadêmicas, produção intelectual e trabalho institucional em prol das Ciências Sociais. Este ano os premiados são: Bela Feldman-Bianco (Unicamp) (Prêmio Anpocs de Excelência Acadêmica Gilberto Velho em Antro­pologia), Maria Tereza Sadek (USP) (Prêmio Anpocs de Excelência Acadêmica Gildo Marçal Brandão em Ciência Política) e Elide Rugai Bastos (Unicamp) (Prêmio Anpocs de Excelência Acadêmica Antônio Flávio Pierucci em Sociologia).

Ao final da cerimônia haverá o Coquetel de Abertura e Lançamento de Livros e Revistas, às 22 horas. O baile de encerramento acontece quinta-feira, dia 26, às 22 horas.

O 41º ANPOCS conta com patrocínio da Capes, Fapesp, CNPq, Fapemig e IPEA, e apoios institucionais da FFLCH/USP, Prefeitura de Caxambu, IMS (Instituto Moreira Salles), SESC (Serviço Social do Comércio) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Destaques da Programação

Além de uma extensa programação relacionada à pesquisa, o 41º ANPOCS promoverá ainda uma série de homenagens a pesquisadores que faleceram no último ano, entre eles Antonio Candido. A Sessão Especial (SE2), que homenageará o sociólogo acontece no dia 24/10, às 21h00, no Anfiteatro Glória.

Outro destaque será a apresentação do repositório de preprints pelo Programa SciELO. Considerando que a velocidade da veiculação de conhecimento é questão crucial da editoração científica no mundo, o diretor do Programa SciELO, Abel Packer, e os editores das três grandes áreas das Ciências Sociais realizam o Colóquio "Novas mudanças, experiências e estratégias no campo da editoração científica nas Ciências Sociais" (CQ12).

Veja mais em goo.gl/a7rh9r

Website: http://anpocs.com/