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Publicado em 04 junho 2008

Por Fábio de Castro

Produtos tradicionais, como os vinhos da Serra Gaúcha, as compotas do sul de Minas Gerais, a cachaça de Parati e o queijo da Serra da Canastra, têm sua qualidade amplamente reconhecida. Mas como transformar essa boa reputação em lucro para o pequeno produtor rural? Essa é a questão central do livro Produção de alimentos tradicionais: Extensão rural, de Luís Fernando Soares Zuin, professor do Departamento de Administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), e de Poliana Bruno Zuin, pesquisadora do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro.

Segundo Zuin, o livro é resultado de pesquisas que articularam seu conhecimento de zootecnista e engenheiro de produção aos de Poliana, que é pedagoga e defendeu recentemente tese de doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

"O livro tem abordagem inédita, ao unir essas áreas do conhecimento. O objetivo é oferecer aos extensionistas rurais [técnicos que atuam ao lado do produtor] um instrumento pedagógico que os auxilie a capacitar o produtor rural para gerenciar seu negócio, certificar seus produtos e agregar valor a ele", disse à Agência Fapesp.

Ele explica que o livro procura definir o conceito de alimentos tradicionais, descreve as modalidades existentes de certificação – com foco especial na que é voltada para a indicação de procedência – e orienta a produção rural e o processo de comercialização do produto.

"O livro tem um capítulo dedicado aos tipos de selos e certificações que o produtor pode conseguir, porque muitas vezes nem o extensionista sabe muita coisa sobre esse mercado de certificação que tanto agrega valor aos produtos", disse.

Segundo ele, a obra propõe aos extensionistas de órgãos públicos e de empresas um método de capacitação dos agricultores que tem base no referencial teórico do pedagogo Paulo Freire – especialidade de Poliana.

"Percebemos que o produtor é extremamente capaz de desenvolver seu produto do ponto de vista técnico, mas não sabe quais são as atividades-tarefa necessárias para colocar esses alimentos no mercado. Nosso objetivo é aumentar a renda do produtor rural, valorizando a sua commodity", destacou Zuin.

O professor da PUC-Campinas salienta que, ao utilizar o referencial teórico de Paulo Freire, o livro incentiva a permanência do produtor rural no campo.

"Procuramos incentivar que o extensionista mergulhe no universo do produtor rural, trabalhando em conjunto com ele, em seu contexto próprio, valorizando seu conhecimento. Se as orientações forem impostas de cima para baixo, o próprio produto tradicional pode ser descaracterizado", disse.

Segundo ele, os produtos tradicionais são valorizados e consumidos há muito tempo, mas a recente popularização levou a uma generalização da percepção de sua qualidade superior. "Além de consolidar essa percepção diante do público, a valorização da cultura tradicional e regional aumenta a a renda e a auto-estima do proprietário rural", afirmou.

De acordo com o autor, o livro não é voltado apenas aos extensionistas rurais, mas também a pesquisadores e profissionais que trabalham com ciências agrárias. "O texto pode ser utilizado em cursos de administração rural – como agronegócio, engenharia de alimentos e turismo rural –, além de extensão rural, como veterinária e zootecnia", disse.

Ele explica que o livro teve origem em estudos de caso realizados na chamada Estrada do Sabor, no Rio Grande do Sul. "Não foi um trabalho trivial, porque há grandes diferenças entre a linguagem do gestor e a do pedagogo, mas conseguimos alinhar as duas vertentes", disse.

MAIS INFORMAÇÕES

Produção de alimentos tradicionais: Extensão rural

Autores: Luís Fernando Soares Zuin e Poliana Bruno Zuin

Preço: R$ 25

Número de páginas: 224

Mais informações: Editora Idéias & Letras

FONTE

Agência Fapesp