Notícia

Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SP)

Delegação da Fapesp visita instituições japonesas

Publicado em 18 março 2013

Uma delegação da Fapesp, liderada por seu presidente, Celso Lafer, manteve uma série de encontros com entidades de pesquisa e ensino superior japonesas na semana de 11 de março, com o objetivo de estabelecer negociações com vistas a futuros acordos de cooperação.

As reuniões ocorreram em Tóquio, às vésperas do Simpósio Brasil-Japão sobre Cooperação Científica, organizado pela Fapesp e pela Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência (JSPS) na Universidade Rikkyo, com apoio da Embaixada do Brasil em Tóquio.

O mais importante desses encontros foi exatamente com a JSPS. Lafer e o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, José Arana Varela, foram recebidos pelo presidente da JSPS, Yuichiro Anzai. O embaixador do Brasil em Tóquio, Marcos Galvão, também participou da reunião.

Anzai e Lafer saudaram a realização do simpósio como o primeiro passo para novos entendimentos entre as duas entidades com vistas a possíveis projetos de pesquisa a serem desenvolvidos em conjunto por pesquisadores paulistas e japoneses. Anzai destacou a importância de vir a assinar um acordo de cooperação com a Fapesp para estimular a pesquisa conjunta entre o Japão e o Brasil. Galvão reforçou a iniciativa, ressaltando que o governo federal considera um acordo entre a JSPS e a FAPESP uma excelente oportunidade de desenvolver a ciência nos dois países.

Em dezembro de 2012, o vice-coordenador de relações internacionais da JSPS, Saito Kiyoshi, também presente no encontro em Tóquio, foi a São Paulo para conhecer a Fapesp e começar a explorar alternativas de futura cooperação.

A JSPS recebe cerca de 100 mil pedidos de financiamento para pesquisa por ano e contempla aproximadamente 30% deles. Seu orçamento é de cerca de US$ 3,7 bilhões anuais. Ela tem acordos com 85 instituições de ensino e pesquisa em 45 países. O Brasil tem uma participação ainda pequena nas relações internacionais da entidade.

A delegação da Fapesp foi também recebida na Japan Science and Technology Agency (JST), a segunda principal fomentadora de pesquisa do Japão, pelo seu presidente Michiharu Nakamura e outros diretores. Com um orçamento anual de cerca de US$ 1,2 bilhão, a JST tem um foco mais direcionado para pesquisas de caráter inovativo e de aplicação mais imediata.

Nas duas instituições, foram percebidos diversos pontos de interesse prioritários comuns com a Fapesp em termos de linhas de pesquisa, em especial os relativos a bioenergia, estudos sobre ambiente (particularmente biodiversidade e mudanças climáticas), nanotecnologia e materiais.

Os diretores da Fapesp estiveram também com seus colegas da Riken, um dos principais institutos de pesquisa japoneses, com centros em diversas cidades do país e ênfase em programas de engenharia aplicada a biomassa, ciências da computação, medicina preventiva, estudos do cérebro, biologia quantitativa, entre outros. Cerca de 3.500 pesquisadores trabalham na Riken.

Na mesma semana em que a delegação da Fapesp estava com o presidente da Riken, Akihiro Fujita, emissários do instituto visitaram a Fapesp para também estudar as perspectivas para futuros acordos de cooperação científica em suas áreas de interesse específico e outras.

Universidades

Na Universidade de Tóquio, Celso Lafer e José Arana Varela reuniram-se com o presidente Jinichi Hamada, que lhes contou sobre o fórum que a instituição japonesa realizará em São Paulo nos dias 11 e 12 de novembro de 2013.

Nesse fórum, que levará a São Paulo cerca de 20 professores da Universidade de Tóquio e com o qual a Fapesp deve colaborar, os assuntos principais serão: sustentabilidade, engenharia de termofluidos, utilização dos oceanos e como Brasil e Japão podem colaborar entre si na pesquisa destes e de outros temas.

A Universidade de Tóquio, estabelecida em 1877, a mais antiga do Japão, é também uma das mais reconhecidas no mundo pela alta qualidade do ensino e da pesquisa ali aplicadas, aparecendo com frequência entre as dez melhores nos principais rankings de excelência universitária. De seu corpo docente, saíram oito cientistas laureados pelo prêmio Nobel. Com 30 mil estudantes de graduação e pós, seu orçamento anual é de cerca de US$ 2,5 bilhões.

Na Universidade de Tóquio, assim como na Riken, Lafer e Varela visitaram diversos laboratórios para conhecer os equipamentos e os pesquisadores que com eles trabalham.

Outra universidade japonesa visitada pela delegação da Fapesp foi a Rikkyo, sede do simpósio. Universidade particular, com ênfase em ciências sociais e artes, a Rikkyo é conhecida também como Universidade de São Paulo, pois seus fundadores, no século 19, religiosos da Igreja Episcopal, escolheram esse santo como padroeiro e inspirador. O presidente da Universidade Rikkyio, Jun Itoygawa, mencionou essa coincidência ao receber Lafer e Varela.

Os dirigentes da Fapesp também estiveram no Museu Nacional de Ciência Emergente e Inovação, conhecido como Miraikan (Futuro), onde o seu diretor-geral, o primeiro astronauta japonês, Mamoru Mohri, lhes explicou como esse projeto se insere na política nacional de disseminação da ciência no Japão com o objetivo de prestar contas à sociedade do que é feito do dinheiro público aplicado na área e de incentivar vocações para a ciência entre crianças e jovens.

No balanço da missão, o presidente da Fapesp, Celso Lafer, disse: “A viagem foi extremamente produtiva, abriu novos horizontes e foi uma oportunidade para mostrar aos nossos colegas japoneses o potencial de sinergia de uma cooperação entre as instituições de apoio à pesquisa dos dois países.”