Notícia

DCI

Degustação terá ajuda de "língua eletrônica"

Publicado em 26 abril 2002

Uma tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Universidade de São Paulo em São Carlos, promete revolucionar o método de degustação de bebidas. Trata-se da "língua eletrônica". A novidade permite verificar a qualidade do líquido, registrando se existem contaminantes, pesticidas, substâncias húmicas ou metais pesados. A criação da tecnologia envolveu três anos e R$ 1 milhão. A língua eletrônica diferencia sem dificuldades os padrões básicos de paladar (doce, salgado, azedo e amargo) com concentrações abaixo do limite de detecção do ser humano. O novo sistema também apresenta excelentes resultados na diferenciação de bebidas com o mesmo sabor, sendo possível distinguir diferentes tipos de vinho, café, chá e água mineral. Atualmente, os testes para avaliação do paladar de bebidas são feitos por degustadores, enquanto a avaliação da água é feita por análise química em laboratório, o que pode levar semanas ou até mesmo meses. Com o novo produto é possível fazer testes contínuos na linha de produção em tempo real e em poucos segundos. "Algumas vezes, os degustadores levam mais de uma semana para determinar o gosto correio de um tipo de café, por exemplo, enquanto a Língua Eletrônica pode fazer a mesma coisa em alguns minutos", explicou o pesquisador da Embrapa, Luiz Henrique Capparelli Mattoso. A técnica envolve um conjunto especifico de plásticos que conduzem eletricidade e que são sensíveis às substâncias responsáveis pelos diferentes tipos de paladar. Quanto à comercialização do produto, o pesquisador explica que a Língua Eletrônica já foi patenteada no Brasil e está aguardando a liberação do registro no exterior. Depois desse processo, os pesquisadores irão publicar uma convocação pública, para despeitar interesse de empresários que queiram fabricar o produto em escala comercial. O sistema também está sendo automatizado em parceria com o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação e o Instituto de Física da USP de São Carlos, utilizando inteligência artificial (redes neurais), o que vai permitir a qualquer usuário, com conhecimento básico em computação, operá-lo. No entanto, segundo o pesquisador da Embrapa Elomir Antônio Perussi de Jesus, o novo equipamento não irá acabar com a figura do degustador. "Pelo contrário. Trata-se de uma ferramenta para auxiliá-lo." -Carolina Jardon