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O Povo

Definindo novos rumos da pesquisa Antártica Brasileira

Publicado em 27 agosto 2005

As pesquisas polares brasileiras foram iniciadas há mais de duas décadas e estão concentradas na Antártica, investigando fenômenos como as correntes marítimas, o aumento das temperaturas do mar e da atmosfera, o derretimento do gela e a camada de ozônio e os efeitos da presença humana, especificamente da brasileira, no continente antártico
O Brasil deu início aos preparativos para o 4º Ano Polar Internacional, que ocorrerá entre março de 2007 e março de 2009. Os pesquisadores trabalham para definir uma agenda de pesquisa polar comum e direcionada, além de participar de conferências preparatórias até a realização do evento.
Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), uma das ações é a elaboração de um relatório com linhas de ação de pesquisas brasileiras na Antártica para 2006 a 2010. O documento, preparado por um grupo de trabalho composto por membros do ministério, de órgãos de pesquisa como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da comunidade acadêmica, deverá estar pronto até o próximo mês.
A coordenadora de Políticas e Programas de Ciência e Tecnologia para o Mar e Antártica do MCT, Maria Cordélia Machado, explica que o principal objetivo da ação é apontar mecanismos de integração e coordenação de uma agenda de pesquisas científicas polares.
Para ela, a própria característica do Ano Polar Internacional — um fórum mundial que pretende discutir e aprofundar as pesquisas sobre as regiões polares e os efeitos no clima mundial, e com isso definir novos rumos para a pesquisa nesses locais — aponta o caminho que a pesquisa antártica brasileira deve seguir: o da cooperação científica internacional.
As pesquisas polares brasileiras foram iniciadas há mais de 20 anos e estão concentradas na Antártica. Duas grandes redes regem as atividades: a primeira, Mudanças Ambientais Globais, investiga fenômenos como as correntes marítimas, o aumento das temperaturas do mar e da atmosfera, o derretimento do gelo e a camada de ozônio, entre outros temas. A segunda, Impactos Locais, trata dos efeitos da presença humana, especificamente da brasileira, no continente antártico.
Todas as atividades de pesquisa são gerenciadas pelo Programa Antártico Brasileiro (Proantar), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), responsável pela seleção e acompanhamento das atividades científicas do programa. O apoio logístico de todas as operações é feito pela Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SeCIRM), enquanto as análises de impacto ambiental das atividades propostas ficam a cargo do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e seguem os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no Tratado da Antártica.
Além das discussões para o Ano Polar Internacional, os pesquisadores brasileiros garantiram participação na 16ª Reunião de Administradores de Programas Antárticos Latino-Americanos (16ª Rapal), que ocorrerá entre os dias 19 e 21 de setembro, em Lima, no Peru. No encontro, será proposta a formação de um bloco de apoio mútuo para participar do evento. Outros pontos na pauta de discussões são o monitoramento ambiental da região e a cooperação científica, técnica e logística dos países membros.
A Rapal é um fórum de coordenação latino-americano de temas científicos, ambientais e logísticos. Reunidos anualmente, participam da reunião representantes do Brasil, Argentina, Chile, Equador, Peru e Uruguai. No encontro deste ano será realizado também o Seminário Sobre Ciência.

Agência Fapesp