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Diário do Povo

DEFICIENTES: À LUTA

Publicado em 21 setembro 2003

Por KATIA FONSECA - Agência Anhangüera
O Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, comemorado hoje em todo Brasil, conta com a primeira apresentação do vídeo documentário síntese do projeto de pesquisa "Diversidade e exclusão: a sensibilidade de quem as vive - Construindo alternativas de políticas de inclusão", coordenado por Shirley Silva e Lizete Arelaro. A apresentação traz a público o resultado de uma dos projetos mais completos referentes à inclusão da pessoa com deficiência na sociedade de iniciativa governamental. "Quando a Secretaria de Educação de Campinas solicitou que fizéssemos um projeto para a educação especial (dirigida a pessoas com deficiência), resolvemos ampliar a discussão para todas as necessidades de inclusão e não só a escolar, pois não podemos ver uma coisa isolada das outras", diz Shirley, doutora em Educação e supervisora educacional da rede municipal de ensino. Assim, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, o projeto de pesquisa aborda a acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência não só à escola, mas ao lazer, à cultura, ao esporte, ao transporte e ao desenvolvimento de sua cidadania. Fazem parte deste trabalho cinco fitas de vídeos - cada uma abordando um desses temas - com depoimentos de pessoas com deficiência e comentários de profissionais envolvidos com a questão da acessibilidade e da promoção da dignidade das pessoas portadoras de deficiência. No dia 3 de dezembro - quando se comemora o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência - esses vídeos serão distribuídos para todas as escolas municipais, além de postos de saúde, ONGs e demais profissionais interessados na inclusão social dos portadores de deficiência. As fitas de vídeo são a segunda parte do projeto de pesquisa de Shirley e Lizete que, em abril de 2002, já entregaram à Prefeitura de Campinas propostas de ação nas diversas áreas sociais visando a inclusão. "A primeira parte de nosso projeto propõe uma metodologia qualitativa das políticas públicas já existentes e daquelas a serem implantadas. Ou seja, queremos saber o quanto a pessoa com deficiência, em Campinas, tem realmente acesso a todos os serviços a que ela tem direito. E, se tem, se é de qualidade", destaca a professora e doutora em Educação Shirley Silva. Como exemplo das propostas de ações entregues à Prefeitura, Shirley cita a criação de um circuito acessível no Centro, com rampas nas calçadas, semáforos sonoros, piso tátil, sinalização nas barreiras arquitetônicas, adaptação dos prédios públicos e de utilidade pública e linhas de ônibus adaptados. "Também propomos que todas as escolas e centros de saúde tenham total acessibilidade em, pelo menos, 500 metros de seu entorno, como calçadas rebaixadas e linhas de ônibus adaptado, por exemplo", conta Shirley. PRODUÇÃO Para a produção dos cinco vídeos que compõem o projeto "Diversidade e exclusão: a sensibilidade de quem as vive", que teve origem na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), em 1999, Shirley e Lisete Arelaro - doutora em Educação pela USP e orientadora de Shirley em seu doutorado - entrevistaram 35 pessoas com deficiência, entre cegos, surdos, portadores de deficiência mental e física. "Nosso objetivo foi dar voz às pessoas com deficiência para avaliar, na realidade, como elas convivem e se são beneficiadas ou não pelas políticas públicas de inclusão existentes na cidade", conta Shirley. Os vídeos farão parte do kit que será distribuído no próximo dia 3 de dezembro que conterá, ainda, um caderno com textos e indicações de leitura, site e filmes, além de um roteiro de discussão relacionado a cada tema enfocados nas fitas de vídeo. "Acredito que conseguimos cumprir com a linha de pesquisa da Fapesp, que prevê uma parceria entre a universidade e o Poder Público no sentido de construir ações que capacitem profissionais, criem multiplicadores e produzam materiais que auxiliem na implantação de políticas públicas, no nosso caso, beneficiando as pessoas com deficiência", conclui Shirley Silva.