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Deficiente visual é a primeira mestre na Unicamp

Publicado em 30 junho 2009

Numa época em que inclusão de deficientes não era tema tão recorrente, a professora Vera Bonilha fez questão que a filha Fabiana Fator Gouvêa Bonilha, cega desde o nascimento, tivesse uma formação convencional. Vinte anos depois, Fabiana - hoje com 27 - tornou-se a primeira deficiente visual a concluir um curso de pós-graduação na Unicamp. Ela defende hoje sua tese de mestrado em Música.

O estudo Leitura musical na ponta dos dedos: Caminhos e desafios da musicografia braile na perspectiva de alunos e professores foi concluído com ajuda de uma bolsa da Fapesp e aborda um tema que acompanha Fabiana desde que ela iniciou os estudos de piano, aos 7 anos. "Há pouca difusão do código de partituras em braile no Brasil." Sua primeira professora de música, Lílian Monteiro, passava cola nos símbolos musicais para que ficassem em relevo e pudessem ser interpretados.

Fabiana concluiu o ensino médio no Conservatório Carlos Gomes, de Campinas, e duas faculdades - de psicologia na PUC-Campinas e de piano erudito na Unicamp. "Os professores pediam partituras para a aula seguinte. Meus colegas faziam cópias e eu não tinha o que fazer. Só ouvia as explicações", lembra. As notas em braile foram criadas pelo próprio Louis Braille, no século 19. Mas há poucas partituras disponíveis no Brasil.

Segundo Fabiana, a única fonte de musicografia braile no Estado é a Fundação Dorina Nowill. Porém, para se ter uma idéia, das 32 sonatas para piano de Beethoven, a fundação dispõe só de 3 em braile.

Com um programa de computador europeu, Fabiana iniciou um acervo de musicografia braile para a Unicamp e transcreveu duas coleções de Villa-Lobos, uma de Camargo Guarnieri e uma de Ernesto Nazaré. Quer continuar os estudos na área na tese de doutorado, que começa em março.

(O Estado de S.Paulo)