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Brasil Econômico

Dedini recua em "etanol 2.0"

Publicado em 22 outubro 2009

Problemas técnicos e a venda da divisão agrícola do grupo Dedini atrasaram o desenvolvimento da primeira usina brasileira para a produção de etanol a partir da celulose do bagaço de cana-de-açúcar. "Tenho que ser honesto, o projeto tinha muitos problemas de engenharia", afirma o vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento da Dedini, José Luiz Olivério.

Uma unidade semi-industrial já estava sendo testada pela Dedini Indústrias de Base, dentro de um projeto de R$ 100 milhões em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Mas o sistema estava instalado na Usina São Luiz, que pertencia ao grupo Dedini, mas foi vendida há dois anos para o grupo espanhol Abengoa. Diante da constante necessidade de reparos na unidade de etanol celulósico, a Abengoa pediu que a Dedini retirasse o sistema de testes de sua usina.

Quando saiu dos modelos de bancada e da unidade piloto para a realidade industrial, a Dedini encontrou mais dificuldades do que esperava. Algumas muito simples, como a falta de um sistema para limpeza do bagaço antes de ele entrar no reator que produz o etanol. Outras, nem tanto, como o fato de o bagaço ser uma matéria-prima muito abrasiva, que gera grande desgaste,dos equipamentos. "Agora estamos tendo que desenvolver materiais que não são típicos desta indústria para a fabricação dos equipamentos", conta o executivo.

Alternativas

Uma equipe da Dedini está avaliando saídas alternativas para os problemas, que demandem menos investimentos e tempo de desenvolvimento. Não há um cronograma para o lançamento comercial do sistema de produção de etanol celulósico.

Apesar das dificuldades e do fato de nem estar definido ainda quando e onde uma nova unidade semi-industrial será instalada, Olivério diz que o trabalho não voltou à estaca zero. "São ajustes de engenharia, porque o processo de produção já está perfeito." Potencial

Além da parceria Dedini-Fapesp, a Petrobras também está desenvolvendo uma solução industrial para produzir etanol de celulose, idêntico ao atual, a partir de 2012. A importância do etanol celulósico deve-se ao alto potencial de produção de combustíveis a partir de matérias-primas hoje subaproveitadas, como o bagaço e a palha de cana, no Brasil, ou a palha do milho e tipos de capim, nos Estados Unidos. Estima-se que dois terços do potencial energético da cana estão na palha e no bagaço, e apenas um terço esteja no caldo, hoje a única fonte de etanol extraída da planta.