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Adital - Agência de Informação Frei Tito para América Latina

Declaração sobre o estado do planeta

Publicado em 03 abril 2012


O funcionamento do sistema terrestre que viabilizou a civilização nos últimos séculos está ameaçado e o resultado disso poderá ser uma emergênciah umanitária de escala global, com a intensificação das crises sociais,econômicas e ambientais. As ações amplas e urgentes necessárias para reverteresse cenário só serão viáveis com o estabelecimento de um novo pacto entre aciência e a sociedade, com maior conectividade entre as lideranças de todos ossetores.

Essa é a principal conclusão da Declaração sobre o estado do planeta, divulgada na quinta-feira, 29 de março, depois deintensos debates envolvendo cientistas especializados em temas socioambientais,durante a reunião intitulada "Planeta sob Pressão"(PlanetUnder Pressure), realizada em Londres (Inglaterra) entre 26 e 29 de março. As informações são da Agência Fapesp.

O documento sintetiza a posição da comunidade científica em relação aostemas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável(Rio+20) e foi elaborado com o objetivo de influenciar a agenda de discussões eas decisões que deverão ser tomadas durante a cúpula. A Rio+20 será realizadano Rio de Janeiro entre os dias 20 e 22 de junho.

Segundo a declaração, a alta interconectividade da sociedadecontemporânea pode ser aproveitada para estimular as inovações em umavelocidade sem precedentes. Mas, para isso, será preciso disponibilizar umacesso mais aberto ao conhecimento, o PIB deverá deixar de ser a única medidade progresso e será preciso estabelecer novos paradigmas de trabalho emcooperação internacional.

O evento em Londres foi organizado pelos quatro programas da Organizaçãodas Nações Unidas (ONU) voltados para a área ambiental: International Programmeof Biodiversity Science (Diversitas), International Human Dimensions Programmeon Global Environment Change (IHDP), World Climate Research Programme (WCRP) eInternational Council of Scientific Unions (ICSU).

Durante o evento, as conexões entre todos os diferentes sistemas eciclos que governam o oceano, a atmosfera, os sistemas terrestres e a vidahumana e animal que depende desses ambientes foram discutidas por mais de 3 milespecialistas em temas como mudança climática, geoengenharia ambiental,governança internacional, futuro dos oceanos e da biodiversidade, comércioglobal, desenvolvimento, combate à pobreza e segurança alimentar.

Para que seja possível uma administração planetária mais eficaz, tambémserá preciso desenvolver novos modos de participação em todos os níveis,lideranças mais fortes em todos os setores da sociedade e maior conectividadeentre os que geram novos conhecimentos e o resto da sociedade. Será preciso,ainda, repensar os papéis da ciência, da política, da indústria e da sociedadecivil.

De acordo com Lidia Brito, copresidente da conferência e diretora dadivisão de Políticas Científicas da Organização das Nações Unidas para aEducação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na declaração os cientistasreconhecem a complexidade e a urgência dos desafios da atualidade e propõem umanova visão da ciência em relação à sustentabilidade global.

"Temos uma mensagem positiva: com uma forte liderança em todos ossetores e com o aproveitamento da crescente conectividade, temos a esperança deque o risco de uma crise ambiental em longo prazo seja minimizado”, projetouLidia Brito à Agência Fapesp.

Segundo ela, que também é ex-ministra da Ciência de Moçambique, oscientistas apoiam o conceito de economia verde, reconhecendo que, com aglobalização, as economias, as sociedades e a sustentabilidade ambiental esocial são altamente interconectadas e interdependentes.

"Essa nova conectividade é o início do caminho pelo qual a comunidadecientífica precisa operar. Nós precisamos de uma poderosa rede de inovaçãoenvolvendo o Norte e o Sul. Essa abordagem precisa fazer parte do nosso DNA apartir de agora”, concluiu Lidia Brito.

[Enviado por EcoD]/ Agência FAPESP