Notícia

Jornal do Brasil

Decifrado DNA de mais uma 'Xylella'

Publicado em 22 junho 2001

O Brasil acaba de quebrar mais um recorde. Pesquisadores da rede Onsa (sigla em inglês da Organização para Sequenciamento e Análise de Nucleotídeos), criada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), anunciam hoje, em Davis, Califórnia (EUA), a conclusão do seqüenciamento genético de mais uma cepa da bactéria Xylella fastidiosa. Desta vez, quem teve seu genoma revelado foi a variante causadora da doença de Pierce, que devasta as videiras da Califórnia. O projeto foi fruto de acordo entre a Fapesp e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que convidou os pesquisadores brasileiros após o sucesso do seqüenciamento da primeira cepa da Xylella, que ataca laranjais, anunciado no início de 2000. Em oito meses, os cientistas, liderados por Marie-Anne Van Sluys e Mariana Cabral de Oliveira, determinaram a ordem de cada uma das 2,5 milhões de bases (as letras químicas que guardam o segredo da vida) que integram o genoma da bactéria. Foram investidos US$ 500 mil. Ao comparar as duas cepas (a que ataca videiras e a que ataca laranjais), os pesquisadores identificaram grupos de genes diferentes em cada bactéria, o que pode representar a parte do genoma envolvida no processo de infecção de cada microorganismo. Além de trechos genéticos distintos, as bactérias diferem em número de genes. Enquanto a das videiras tem 2.600, segundo análises preliminares, a das videiras possui 2.900 gene. Vanguarda - Andrew Simpson, do Instituto Ludwig, em São Paulo, que ajudou a organizar o projeto, considerou o feito uma grande vitória. "Isso mostra que o Brasil continua na vanguarda", afirmou o pesquisador inglês, que coordenada outros projetos da Fapesp, como o Genoma do Câncer. Simpson ressaltou que dois fatores contribuíram para o rápido término do seqüenciamento: a experiência, obtida com a primeira Xylella, e a nova geração de máquinas, mais rápidas que as usadas anteriormente. Além das duas Xylellas, os pesquisadores brasileiros - estão envolvidos na decodificação de mais duas variantes do microorganismo: a ataca as amendoeiras e a que mata um arbusto chamado espirradeira, muito comum nos canteiros divisórios das estradas na Califórnia. Novamente, o trabalho será feito e colaboração com os americanos. O parceiro na nova empreitada será o Joint Genome Institute (JGI), consórcio do Departamento de Energia dos Estados Unidos. "Com esses projetos, a Xylella se tornará a bactéria mais conhecida do mundo geneticamente", disse Simpson.