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De olho no futuro

Publicado em 20 janeiro 2010

Por Agência Fapesp

Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) completou 40 anos em dezembro e, ao longo de 2010, prepara uma série de eventos para relembrar sua história e aumentar sua inserção internacional

Caracterizado por uma filosofia interdisciplinar, o ICB se tornou um dos mais importantes centros de pesquisa do país na área de biomédicas. Criado em 1969 na primeira reforma universitária - que aboliu as cátedras, fez surgir departamentos e institutos e unificou a maioria dos departamentos básicos das unidades da área da saúde -, o instituto agrega alunos de 17 cursos nas áreas biológica, biomédica e médica.

De acordo com o coordenador da comissão ICB-40 Anos, Luiz Roberto Giorgetti de Britto, professor titular do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB, o instituto é por definição um unidade de pesquisa básica, mas, na prática, essa classificação já foi superada há muito tempo.

"Existem grupos de pesquisa que poderiam ser classificados como "pesquisa aplicada", pois desenvolvem pesquisas com aplicabilidade a médio prazo como, por exemplo, na área de vacinas, em biotecnologia e várias outras", disse Giorgetti, que foi diretor do instituto de 2005 a 2009, à Agência Fapesp.

Segundo o professor, o instituto tenta olhar para a definição de pesquisa básica de uma forma dinâmica. "Embora tenhamos uma história forte na pesquisa básica, a ciência que se faz no ICB avançou muito. As linhas de pesquisa são variadas e abrigam sete grandes áreas de atuação, divididas em departamentos que abrangem a área de anatomia, biologia celular, fisiologia e biofísica, farmacologia, parasitologia, microbiologia e imunologia", explica.

O instituto possui um curso de graduação de formato diferenciado, sem ingresso pelo vestibular. De acordo com Giorgetti, estudantes de outras unidades de áreas biológicas - ou mesmo de exatas ou humanas - que tenham interesse na área de biomédicas podem participar. "Anualmente, é feita uma seleção para o preenchimento de dez vagas. Os alunos são formados com uma visão de pesquisa experimental", diz.

"Mas já estamos em fase final para implantação do curso de graduação em Ciências Fundamentais para a Saúde. Será um bacharelado com ingresso pelo vestibular. Tudo caminha bem, só falta a aprovação do conselho universitário", conta.

O ICB possui, atualmente, cerca de 150 pesquisadores, sem contar o número de cientistas associados. Também está entre as quatro instituições de ensino que mais recebem investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) - cujo volume mais expressivo de recursos é destinado à área de saúde.

Giorgetti, que atualmente desenvolve a pesquisa intitulada "Doença de Parkinson e modelos animais de neuroproteção", tem o apoio da Fundação na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular.

De acordo com ele, o ICB contribui de forma marcante nos rankings internacionais em que a USP se destaca entre as 100 melhores instituições de ensino no mundo. "O instituto é, sem dúvida, uma das mais ativas e produtivas unidades da USP. E a produtividade científica é um dos indicadores que mais pesam nesses rankings", diz.

Ao longo dos 40 anos de existência do ICB, os fatos mais marcantes, segundo o docente, estão ligados à consolidação da infraestrutura de pesquisa. "Não só física e não só para pesquisa, mas também para ensino e extensão. Hoje o ICB tem quatro prédios e dois anexos. Atingimos um patamar muito satisfatório e adequado para a pesquisa que gostaríamos de realizar. Esse avanço foi muito grande, e a Fapesp tem um papel fundamental nessa conquista", destaca.

O pesquisador destaca ainda a consolidação dos sete programas de pós-graduação que contam atualmente com cerca de 600 pós-graduandos, além de 100 pós-doutorandos. "Temos também um posto avançado em Rondônia, que existe há 15 anos. É um posto que faz pesquisas sobre doenças tropicais e presta assistência para a população da região", diz.

Durante este ano, o instituto realizará eventos internacionais, como o "simpósio internacional de imunologia", que ocorrerá no mês de fevereiro.

De acordo com o Giorgetti, serão realizados também outros eventos de caráter internacional até o final do ano. "Queremos olhar para o ICB nos últimos 40 anos, mas também queremos projetá-lo para o futuro com o objetivo de conseguir uma interação cada vez maior com instituições internacionais", salienta.

(Agência Fapesp, 20/1)