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Informe MS

De olho na América Latina

Publicado em 27 novembro 2008

Quando completar 50 anos, em 2014, a Universidade Macquarie (MQ), na Austrália, pretende estar entre as 50 melhores do mundo. Só que para atingir a ambiciosa meta, será preciso saltar mais de 200 posições no ranking mundial. Por conta disso, a principal estratégia consiste em aumentar a presença de pesquisadores latino-americanos na instituição sediada em Sydney.

Com esse objetivo, a diretora de estudos hispânicos do Departamento de Línguas Européias da MQ, Estela Valverde, esteve na sede da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo), nesta quarta-feira (26/11), onde se reuniu com o diretor-presidente da Fundação, Ricardo Renzo Brentani, para discutir as possibilidades de criação de um convênio que permita o desenvolvimento de projetos conjuntos e o intercâmbio de estudantes entre a MQ e universidades paulistas.

De acordo com Estela, a Universidade Macquarie – uma das 39 existentes na Austrália – tem 32 mil estudantes, sendo 35% estrangeiros. Mas, embora a proporção de estrangeiros seja grande, a maior parte, 84,6%, é proveniente da Ásia, enquanto apenas 3,3% vêm da América Latina.

“Temos um projeto de expansão ambicioso que inclui ampliar ainda mais nossa inserção internacional. Mas não queremos ficar restritos à Ásia. Estamos interessados em trazer doutorandos e pós-doutorandos de outras partes do mundo para passar um ou dois anos conosco. O potencial da América Latina para isso é muito grande”, disse Estela à Agência Fapesp.

Segundo Brentani, a reunião, que discutiu as possíveis modalidades de parcerias, foi um primeiro passo para a aproximação entre a universidade australiana e a Fapesp. “O objetivo da visita é estabelecer relações e eventualmente fazer um convênio entre a MQ e a Fapesp, visando ao desenvolvimento de projetos de pesquisa conjuntos com o intercâmbio de estudantes em nível de mestrado e doutorado”, disse.

Brentani destacou a proximidade entre as áreas de atuação da Universidade Macquarie e as prioridades da Fundação em pesquisa. “Eles têm excelência em setores nos quais a Fapesp mantém grandes programas e projetos, como neurociências, mudanças climáticas, internet avançada, biodiversidade e ecologia.”

Segundo Estela, outras áreas de concentração de excelência da MQ são culturas antigas, comportamento animal, astronomia e astrofísica, ciência cognitiva, ciências da linguagem, fotônica e mudanças sociais, culturais e políticas. A universidade possui quatro faculdades: de Artes, de Ciências, de Ciências Humanas e de Negócios e Economia.

“Temos competência em todas essas áreas, mas atualmente 41,9% dos estudantes estrangeiros se concentram na faculdade de Negócios e Economia. Queremos que a universidade também seja procurada nos outros setores, intensificando a pesquisa nessas áreas de concentração”, disse.

De acordo com Estela, uma maior presença de estudantes da América Latina poderia ajudar a universidade australiana a expandir sua produção em pesquisa científica. “Atualmente, 68% dos nossos estudantes estão na graduação, 27% em pós-graduação lato sensu e apenas 5% em pós-graduação stricto sensu.”

Mudanças recentes na legislação australiana, segundo ela, determinaram que as universidades que se dedicam apenas ao ensino terão as verbas diminuídas. Esse é um dos motivos para que a universidade busque expandir a pós-graduação stricto sensu. Das 39 universidades australianas, 37 são públicas. A MQ tem orçamento anual de cerca de US$ 350 milhões.

“Estamos procurando, em todo o mundo, estudantes em nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Estamos agora interessados principalmente em pessoas que já estejam pesquisando, mas querem fazer intercâmbio”, disse Estela.