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Arte, Transformação e Identidade

Das linguagens imagéticas como perspectiva de inclusão social em bibliotecas à contribuição de bibliotecas híbridas para o desenvolvimento de comunidades: a trajetória da pesquisadora Rafael

Publicado em 24 setembro 2018

Rafaela Carolina Silva é doutoranda e mestra em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, na linha de Pesquisa Gestão, Mediação e Uso da Informação. Bolsista FAPESP, foi também bolsista CAPES, e é membro do Grupo de Pesquisa Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional (ICIO). “A pesquisa que desenvolvo hoje foi decorrente dos estudos que iniciei na Graduação, onde eu pesquisei as linguagens imagéticas como perspectiva de inclusão social em bibliotecas”, explica Rafaela Carolina, que fez Mestrado Sanduíche na Robert Gordon University, Escócia, Reino Unido (entre setembro e dezembro de 2016). Especialista em Psicopedagogia Institucional pela Fundação para o Desenvolvimento do Ensino, Pesquisa e Extensão Marília/SP, graduada em Biblioteconomia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, onde também foi bolsista FAPESP, Rafaela Carolina atualmente dedica-se à pesquisa científica, trabalhando principalmente na interdisciplinaridade dos temas: Bibliotecas híbridas; Conceito de hibridez em bibliotecas; Desenvolvimento social; Gestão da informação; e Desenvolvimento de comunidades.

O mestrado de Rafaela Carolina se baseou em um estudo de caso em âmbitos nacional (Brasil) e internacional (Inglaterra e Escócia), onde procurou entender como funcionavam essas bibliotecas, denominadas híbridas, na prática. “Com o caminhar da minha pesquisa (de graduação), descobri que a convergência entre mídias analógicas e digitais nos levava ao conceito de bibliotecas híbridas, portanto, no Mestrado, elas foram meu objeto de estudo”. Ao perceber que a literatura da área da Ciência da Informação conceitualizava a hibridez em bibliotecas apenas sob a perspectiva do uso de tecnologias, embora seus estudos práticos e teóricos demonstrassem que o conceito de bibliotecas híbridas vai além do uso de tecnologias, visando, principalmente, ao desenvolvimento social de comunidades, Rafaela Carolina buscou, em sua pesquisa de Doutorado, criar um conceito de bibliotecas híbridas que abranja a esfera cultural, no âmbito do desenvolvimento social, em bibliotecas. “Busco discutir não somente o envolvimento das tecnologias em bibliotecas, como nos parece ser o senso comum da hibridez nesse âmbito, mas também a maneira pela qual a biblioteca híbrida pode contribuir para o desenvolvimento social de comunidades”.

Para Rafaela Carolina, a área da Ciência da informação é fascinante, pois, permite com que outros campos do conhecimento, como a Administração, o Direito, a Contabilidade, a Educação, a Filosofia, a Tecnologia em Informação, dentre outros, possam se inserir no nosso contexto, possibilitando que pesquisadores dos mais variados âmbitos do conhecimento desenvolvam pesquisas na área, de modo a contribuir para o crescimento dessa ciência multidisciplinar. “Em relação ao reconhecimento da área, vejo que ela é mais desconhecida quando se tratando do âmbito mercadológico, pois, é comum conversarmos com pessoas atuantes no mercado de trabalho que desconhecem nossa área e a confundem com áreas afins, como a Tecnologia em Informação, por exemplo”, afirma ela. “Contudo, quando se trata do âmbito acadêmico, percebo que, nos últimos anos, pelo menos no Programa de Pós-Gradução onde eu estudo, a procura pelos cursos de Mestrado e Doutorado vem sendo cada vez maior, o que mostra um resultado positivo do reconhecimento da Ciência Informação”.

Perguntada se o pesquisador acadêmico teria uma função de dialogar com a sociedade, a pesquisadora é enfática: “Com toda certeza! Tudo o que pesquisamos interfere, de maneira mais ou menos indireta, em sociedade, portanto, a necessidade desse diálogo”. Sobre a possibilidade de fazer uma ponte entre o que é produzido dentro da academia e aplicações diretas das pesquisa, e se ela mesma consegue fazer essa ponte, ou conhece iniciativas nesse sentido, Rafaela Carolina vai além: “Algumas maneiras de promover a dialogicidade entre a academia e a sociedade são: promoção de palestras que demonstrem as pesquisas desenvolvidas pelos pesquisadores da instituição para a sociedade em geral, o que possibilita seu contato com o meio acadêmico e o possível despertar de um olhar pesquisador (os eventos desenvolvidos em Ciência da Informação na Unesp permitem esse contato); designação de alunos que possam ir até as empresas para realizar algum trabalho referente à sua área e, portanto, demonstrar a importância do seu curso para a sociedade (os alunos de Arquivologia da Empresa Júnior da Unesp de Marília, há um tempo atrás, tinham o hábito de ir até algumas empresas da cidade e da região para trabalharem na organização do acervo da instituição); possibilidade da participação dos usuários (como opiniões) nos produtos e serviços desenvolvidos pela biblioteca, uma vez que o papel dessas instituições é desenvolver suas atividades de acordo com as necessidades e desejos de suas comunidades”.