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'Dark' voltou: O que significa 'sic mundus creatus est'?

Publicado em 26 junho 2020

A espera acabou: a terceira temporada — e último ciclo — de "Dark" chega neste sábado (27) à Netflix. A data de estreia foi marcada para cair exatamente no dia em que acontece o Apocalipse no enredo do seriado.

Mais do que encenar o fim do mundo, a série volta a tratar do punhado de itens "místicos" apresentados até agora, que acrescentam mais uma camada de mistério às jornadas pelo tempo de Jonas (Louis Hoffmann), o protagonista.

O vaivém de referências deixa todo mundo doidão. Mas calma: para tornar as coisas um tanto mais claras para este terceiro ciclo, TAB recupera e explica alguns deles antes de você dar o play para descobrir o que aconteceu com a cidade de Winden.

A imagem da Tábua Esmeraldina, ou Tábua de Esmeralda, aparece na primeira temporada da série tatuada nas costas de Noah e na capa de um disco ouvido por Ulrich Nielsen adolescente, em 1986. "Fist of Hebron" é o nome do álbum, e o da banda, Tabula Smaragdina (de onde vem a relação com a Tábua de Esmeralda). Apesar de a banda existir de verdade (na vida real), ela só foi criada na década de 1990, e não tem disco nenhum com esse nome. Na cena em que Ulrich tem a capa desse disco nas mãos, a música que toca ao fundo é "Pleasure to Kill" da banda "Kreator" — essa sim lançada em 1986. Perdeu-se? Segundo uma discussão no Reddit, essa é mais uma das pistas sobre o caótico mundo interior do personagem de Ulrich. Ou seja: "Dark" sendo "dark".

Voltando: Tábua de Esmeralda é um conjunto de escritos em latim creditado a Hermes Trismegisto, filósofo egípcio cujo trabalho originou o hermetismo. O texto teria inspirado o surgimento da Alquimia, já que a Tábua teria o segredo da matéria-prima da Pedra Filosofal e a forma com que o item funcionaria para transformar qualquer metal em ouro. Os escritos da Tábua de Esmeralda foram traduzidos para o inglês por ninguém menos que Isaac Newton (os documentos originais estão, atualmente, no King's College, na Inglaterra) e tem ares "místicos". Na cultura pop, os alquimistas dão as caras também no álbum "A Tábua da Esmeralda" (1974), de Jorge Ben. Em "Dark", a Tábua é icônica, pois é dela que sai a frase "Sic Mundus Creatus Est".

A frase aparece muitas vezes na série, mas, principalmente, nas portas do portal dentro das cavernas de Winden. O texto em latim significa "Assim o mundo foi criado", e é um dos versos da Tábua de Esmeralda. O termo acaba batizando a sociedade secreta de viajantes no tempo liderada por Adam, a Sic Mundus, cujo objetivo central é provocar o Apocalipse marcado para 27 de junho de 2020.

O Paradoxo de Bootstrap se refere a viagens no tempo: se algo do presente vai parar no passado, cria um loop de origem, uma inflexão em que o objeto, pessoa ou informação "existe", age e interfere nas coisas sem nem mesmo ter sido criado. "Bootstrap" significa cadarço, e o tema vem de uma expressão presente em uma história do autor de ficção Robert A. Heinline, "puxando pelos cadarços de seu próprio calçado".

Em "Dark", há uma série de consequências e descobertas a partir das viagens ao passado e ao futuro (não vamos nos alongar para não dar spoiler). No campo da Lógica, trata-se de um paradoxo ontológico, que trata da existência e natureza do ser.

Na segunda temporada de "Dark", Jonas ouve uma das fitas de Claudia sobre a Partícula de Deus. Nela, a diretora da Usina diz que, se estabilizada, a partícula, que teria a forma de uma esfera negra, permitiria que ocorressem viagens no tempo.

Fora do seriado, a Partícula de Deus é a Bóson de Higgs, uma partícula subatômica, sem carga elétrica, que os físicos acreditam ser responsável por atribuir massa a elétrons, por exemplo. Os físicos François Englert e Peter Higgs publicaram, em 1964, artigos independentes que falavam da existência de uma partícula oriunda do Big Bang que, a partir de sua interação com outras partículas, teria feito com que elas ganhassem massa. Bóson de Higgs ganhou o apelido místico (Partícula de Deus) em 1993, quando o físico norte-americano Leon Lederman, convencido por seu editor, teve o nome de seu livro trocado de "Goddam Particle" ("A Partícula Maldita", por causa da dificuldade de provar sua existência) para "The God Particle". Os cientistas conseguiram comprovar sua existência apenas em 2012, em um experimento feito pela Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear. A descoberta rendeu um prêmio Nobel de Física a Englert e Higgs, que se encontraram pela primeira vez na cerimônia de entrega, em 2013.

A Partícula de Deus tem algo a ver com viagem no tempo? Um pouco. Físicos da Universidade de Vanderbilt acreditam que, se o acelerador de partículas Large Hadron Collider pôde recriar a Bóson de Higgs, ele também pode criar o Higgs singlet, outra partícula apenas teorizada que, aí sim, seria capaz de pular no espaço-tempo.

FONTES: Pesquisa Fapesp, CERN, Fermi National Accelerator Laboratory e Scientific American.

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