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Diário de S.Paulo

Dante Pazzanese descobre a genética dos enfartes

Publicado em 17 fevereiro 2009

"Vamos prever enfartes com precisão. Saberemos se o paciente de 15 anos terá problemas do coração aos 50 anos." A promessa é do cardiologista Marcelo Sampaio, coordenador do laboratório de biologia molecular do Instituto Dante Pazzanese. Lá, uma pesquisa acaba de mapear os genes ativados durante um enfarte. A origem genética do problema permitirá, num futuro próximo, criar tratamentos mais individualizados e estratégias de prevenção mais eficientes.

A pesquisa ainda está em fase inicial, e seus resultados práticos, com novos medicamentos e estratégias terapêuticas, devem chegar ao mercado em cerca de 10 anos. O primeiro passo foi mapear os genes ativos em 10 pacientes com quadro de enfarte. "Fizemos um retrato da interrelação entre os genes envolvidos no enfarte", explica Sampaio. O próximo passo será repetir o mapeamento em mais pacientes, para confirmar os resultados.

Até hoje, a medicina conhecia os fatores de risco para enfartes, como diabetes, tabagismo e colesterol alto. Era sabido que havia um fundo genético para o problema, mas ainda não havia sido feito um mapeamento dos genes ativados no momento do enfarte. Esse foi o mérito da pesquisa, realizada em parceria com outras instituições — Universidade de São Paulo, Universidade de Santiago de Compostela, Instituto Ludwig e Instituto Príncipe Felipe de Valença.

Tendo um mapa genético de cada paciente, os médicos poderiam traçar estratégias individualizadas de prevenção, desde a adolescência. Nos casos de pacientes que já tivessem passado por enfartes, o tratamento poderia ser mais específico, com drogas desenhadas para cada situação. "Teríamos remédios individualizados", afirma Sampaio. Custeado também pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e Capes, o estudo recebeu uma verba de R$ 300 mil e deve estar totalmente concluído até 2010.