Notícia

O Diário de Maringá

Danças em branco

Publicado em 29 março 2005

 A bailarina e coreógrafa paulista Célia Gouvêa apresenta, hoje e amanhã, o espetáculo "Danças em Branco". O título é uma alusão à cor dos figurinos, à possibilidade do público completar o que vê através da sua percepção e ainda remete a um contraponto contemporâneo aos românticos "Ballets Blancs"."C-e-c-i-l-i-a", "Romance da Dona Mariana" e Parascha" são as três coreografias que compõem o programa.
O espetáculo é baseado nas três mulheres distintas, Cecília, Mariana e Parascha. De acordo com os divulgadores, a primeira tem a elevação espiralada como marca. "C-e-c-i-l-i-a" aborda a "serena desesperada" poeta carioca Cecília Meireles, através de dois momentos: o lirismo puro (expressão de Mário de Andrade, que requer a conexão com o inconsciente, e o lirismo de guerra, que supõe o elo com o tempo real).
Constitui igualmente, devido ao seu emprego e transformação no decorrer da escrita coreográfica cênica, em objeto plástico gerador da cenografia, perfeitamente integrado à ação. O figurino é da estilista francesa Florence Ollagnier-Durif.
Mariana é a mulher oprimida, que encontra sua dimensão política na atualidade, levando-se em conta o tratamento imposto às mulheres afegãs ainda hoje. Tem música tradicional portuguesa com forte batida rítmica de origem árabe sobre o romance épico.
Parascha, com música de Stravinsky, comporta a tríade presente à pesquisa de linguagem coreográfica de Célia Gouvêa: humor, humanidade, construção do movimento. Encerra o programa de modo lúdico.
Célia Gouvêa está em Maringá por meio da Caravana Funarte. Ela acaba de completar 30 anos de criações coreográficas no Brasil. Em 1974, em parceria com Maurice Vaneau estreou "Caminhada" no Teatro Galpão, saudado pelo crítico Sábato Magaldi como " um espetáculo perfeito. Um novo caminho e uma nova linguagem". Marcou o início da dança contemporânea em São Paulo, trazendo renovação através da linguagem multidisciplinar.
Formada pelo Centro Mudra de Maurice Béjart em Bruxelas-Bélgica, foi co-fundadora do Grupo Chandra com Maguy Marin, Juliana Carneiro da Cunha e outros.
Criou mais de 50 coreografias. Recebeu prêmios da crítica (Melhor Coreógrafa, Bailarina, Pesquisa, Criação, Espetáculo) e bolsas para pesquisa e criação coreográfica (CNPq, Fapesp, Vitae, Virtuose e John Simon Guggenheim Memorial Foundation).