Notícia

Jornal da Unicamp

Da Unicamp para o mundo

Publicado em 16 novembro 2015

Por Isabel Gardenal

O Congresso de Iniciação Científica da Unicamp, um evento já consolidado no país, sairá da circunscrição regional para ganhar o certame mundial. Todos os trabalhos apresentados no congresso receberão um número DOI (Digital Object Identifier), que é uma espécie de identificação que permitirá acompanhar e localizar essas publicações na internet em qualquer ponto do planeta. Com isso, os trabalhos terão uma maior visibilidade internacional.

Essa será uma das novidades do XXIII Congresso de Iniciação Científica, que acontecerá nos dias 17 a 19 deste mês no Ginásio Multidisciplinar da Universidade (GMU). A cerimônia de abertura acontece no dia 17, às 13h30, no Centro de Convenções. O congresso é promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Universidade.

Nesse encontro, serão apresentados 1.353 trabalhos, com a participação de 1.514 alunos inscritos, notando-se um ligeiro aumento nos números em relação ao ano passado, quando 1.348 trabalhos foram apresentados e 1.485 alunos se inscreveram. É que nos dois últimos anos, a PRP iniciou uma campanha para aumentar a participação dos alunos bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), estratégia que se mostrou exitosa.

No ano passado, o número saltou de 46 para 118 alunos bolsistas da Fapesp e, nessa versão do evento, saltou para 122 alunos, já representando quase 10% do total de trabalhos inscritos no evento. A estimativa é de que circularão no GMU e no Centro de Convenções 7.500 pessoas ao longo dos três dias. Veja a programação em http://www.prp.rei.unicamp.br/pibic/congressos/xxiiicongresso/.

Outra novidade é que esse ano a PRP convidou os alunos dos colégios técnicos da Unicamp para participarem do evento. O Colégio Técnico da Unicamp (Cotuca) confirmou presença e apresentará os melhores trabalhos da Feira de Ciências, que aconteceu no último mês de outubro. Os alunos desse colégio virão a se somar aos alunos do Programa de Bolsas de Iniciação Científica do Ensino Médio (Pibic-EM) que já participam do congresso.

Além do mais, a Agência de Inovação Inova Unicamp também terá importante presença no congresso. Essa participação deverá conferir ainda mais peso ao evento, já que a Inova sempre apresenta o conhecimento produzido na instituição e os trabalhos de uma iniciação científica cuja vertente é tecnológica.

A Inova atua na Unicamp identificando oportunidades e promovendo atividades de estímulo à inovação e ao empreendedorismo, ampliando o impacto do ensino, da pesquisa e da extensão.

Entre os papéis que a Inova desempenha, está o depósito de patentes. A equipe produz um perfil referente à tecnologia com o propósito de destacar seu diferencial, seu potencial mercadológico e de comercialização. Com o pesquisador, os analistas da Inova Unicamp realizam o pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Em seguida, essa tecnologia é divulgada às empresas interessadas em continuar o seu desenvolvimento até que o produto seja levado ao mercado.

Segundo a professora Gláucia Maria Pastore, titular da pasta da PRP, todos os incrementos que o Congresso de Iniciação Científica da Unicamp tem produzido vêm fazendo com que adquira mais importância, seja pela qualidade dos trabalhos apresentados, seja pelo apoio dos orientadores dos trabalhos, seja pela organização. “Tudo leva a crer que realmente a aposta na iniciação científica é um grande gol”, afirma.

Todas as modificações implementadas, conforme a pró-reitora, visam atender da melhor forma possível o público que vai assistir às apresentações e que vai se apresentar. “Nesse momento, também a PRP está muito estimulada pelo comentário elogioso que o Pibic da Unicamp recebeu do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Temos a certeza de que esse resultado é graças à qualidade advinda dos trabalhos”, ressalta.

Fernando Coelho, atual coordenador do evento e assessor da PRP, conta que o congresso vem evoluindo nos últimos anos com o objetivo de se transformar em um evento de iniciação científica cuja relevância seja cada vez mais acentuada. “Não queremos cumprir apenas uma etapa exigida pelo CNPq. A ideia é chamar a atenção para o congresso porque a qualidade dos trabalhos é excelente, os alunos participam intensamente e isso faz com que apareça a primeira semente da pesquisa da Unicamp, que já começa com a iniciação científica, gerando, com certeza, muitos frutos.”

Coelho credita às campanhas boa parte da responsabilidade por trazer mais alunos de iniciação científica e do Pibic-EM para a Unicamp, atraindo mais olhares e projetos para o congresso. “Não temos a mínima dúvida acerca disso”, ressalta. Nas últimas edições, o mote do evento tem sido “A pesquisa da Unicamp começa aqui”. “Pois é assim mesmo que nós acreditamos”, garante.

No ano que vem, o evento deverá ser aberto para a comunidade externa à Unicamp (Universidades e Centros de Pesquisa da região) dentro do contexto dos 50 anos da Unicamp. “Talvez possamos aproveitar essa deixa e ‘vitaminar’ ainda mais o evento. Fazemos um trabalho que outras instituições da região gostariam de fazer, e o fato de acontecer na Unicamp acaba trazendo ainda mais prestígio para a nossa Universidade”, assinala Coelho.

CONCEITO

A professora Gláucia Pastore adianta que existe uma discussão na PRP junto ao CNPq para que em breve o congresso seja aberto a todas as outras instituições de ensino superior, para que o trabalho se qualifique mais ainda e coloque em discussão vários grupos de pesquisa. “Ainda não fizemos isso porque estamos avaliando como essa introdução deverá ser realizada, enxergando todas as possibilidades, entre elas a questão espacial e a infraestrutura necessária”, pontua. Ela aponta que um dos maiores obstáculos ao crescimento do evento é a dificuldade de encontrar espaço adequado para sediá-lo.

O Congresso de Iniciação Científica é destinado a alunos de graduação da Unicamp e busca estimular os jovens nas atividades, metodologias, conhecimentos e práticas de desenvolvimento tecnológico e processos de inovação. Sua evolução depende muito de qual é o conceito, a qualificação e a atenção e interesse que se coloca na iniciação científica, além do seu impacto.

Para Gláucia Pastore, o congresso é realmente a base do que vai ser a pós-graduação na Universidade. “Isso faz com que os olhares estejam mais atentos a essa entrada no Sistema de Ciência e Tecnologia, que claramente tem o start com a iniciação científica”, reflete.

O aluno que opta pela pós-graduação, comenta ela, depois de ter feito a iniciação científica, já entra em uma outra escala, podendo até ser dispensado do mestrado e ingressar direto no doutorado, como alguns cursos da Unicamp já permitem. “Essa experiência também conta pontos quando ele concorre a uma vaga no mercado de trabalho.”

Na opinião da pró-reitora, os alunos fazem muito bem esse trabalho porque já tiveram um treinamento do que é uma análise aprofundada de dados, como se relata isso e como se expõe. “São atributos que desejamos para um aluno de pós-graduação”, diz. “Então acho que a Unicamp, ao criar um ambiente de pesquisa, está se gabaritando para se tornar um centro formador de pesquisadores de alta capacitação.”

Todo ano, o congresso lança o convite para que uma comissão externa de especialistas de alto nível avalie os trabalhos inscritos na Unicamp. Eles exprimem muita dificuldade em selecionar os melhores. Com o resultado, os alunos premiados tomam parte de uma cerimônia realizada no Conselho Universitário (Consu), órgão máximo da Universidade. Em geral, a solenidade de premiação é presidida pelo reitor da Unicamp e acompanhada por todos os pró-reitores.

“Esse é um dos meios encontrados pela instituição para inserir alunos de graduação na pesquisa, estimulando-os a desenvolver projetos desde o primeiro ano. E o meu convite é que todos estejam participando. Será um grande prazer receber vocês: orientadores, professores, alunos, familiares e visitantes. Que toda nossa comunidade prestigie o evento e que cada unidade valorize seus alunos, pois eles são de fato muito bons”, salienta a pró-reitora Gláucia Pastore.