Notícia

Jornal da Unesp

Da. Schistosoma, seus dias estão contados

Publicado em 01 fevereiro 2002

Urticária, febre, anorexia, cefaléia, dor abdominal, diarréia, náuseas, tosse seca, comprometimento do baço, do esôfago e de outros órgãos. Estima-se que de 8 a 10 milhões de brasileiros sofrem com esses e outros sintomas característicos das diversas fases da esquistossomose. A doença pode levar à morte se não tratada corretamente. Ela é contraída quando o corpo entra em contato com água infectada com o parasita Schistosoma mansoni. Assim que for detectada a moléstia, o paciente deve ser tratado com dois medicamentos, oxamniquine e praziquantel. Eles debelam a doença, mas acarretam indesejáveis efeitos colaterais. Como, em determinadas situações, é necessária a prescrição de altas doses, esses fármacos podem causar, a médio e longo prazos, graves problemas hepáticos. além de possibilitarem o aparecimento de gerações mais resistentes do parasita. Para evitar o problema, a cientista farmacêutica Maria Pai mira Daflon. da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) do câmpus da UNESP de Araraquara, está coordenando uma pesquisa que sugere a utilização de lipossomas associados aos medicamentos. "Os lipossomas são agregados de várias substâncias e, com eles, os fármacos têm um melhor aproveitamento pelo organismo e, assim, podem ser consumidos em doses menores", explica a docente. Nesta pesquisa, que conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Palmira utilizou lipossomas associados ao medicamento praziquantel, em forma de comprimidos. "Os testes foram feitos com camundongos e revelaram uma redução no número de parasitas e de ovos", conta a pesquisadora. De acordo com ela. outros experimentos precisam ser realizados, incluindo a administração do medicamento pela via injetável. "Só depois disso faremos testes em seres humanos, mas os resultados, até aqui. têm sido animadores", revela.