Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Da necessidade de informar

Publicado em 07 junho 2000

A participação das universidades públicas na produção científica do País é inquestionável, graças a uma respeitada estrutura universitária estadual e a uma agência de fomento modelo, no caso a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado (Fapesp). Juntas, USP, Unicamp e UNESP são responsáveis pela formação da metade dos doutores e de cerca de 1/3 dos mestres brasileiros. Outro dado relevante: quase 2/3 dos 14.820 docentes/pesquisadores (dados de 1995) concentram-se nestas três universidades estaduais. Para gerenciar essa estrutura gigantesca, somente o Governo Estadual destinou, no ano passado, um total de R$ 1 milhão 792 mil, quase cinco vezes o orçamento de uma cidade como Santo. Este número ainda é maior em razão dos recursos repassados de organismo federal (Capes, CNPq) e estadual (Fapesp). Os números citados servem para ilustrar, parcialmente, o gigantismo da estrutura universitária paulista. Produção científica há. Resta saber, no entanto, de que forma ela acaba chegando à sociedade, que arca com suas despesas e espera uma contrapartida. E o uso correto da Imprensa é a melhor maneira de aproximar a universidade do público. Com base neste enfoque - as estratégias de comunicação utilizadas para difundir a produção acadêmica à Imprensa segmentada de ciência e tecnologia - é que me baseei para elaborar minha dissertação de mestrado denominada dos Laboratórios Universitários à Mídia (a divulgação científica nas universidades públicas paulistas), na Universidade Metodista de São Paulo (Unesp). O trabalho traça um panorama do setor, descrevendo as peças de divulgação utilizadas pelas instituições. O destaque, porém, fica por conta da opinião de oito jornalistas ligados direta ou indiretamente à área de C&T, que trabalham em jornais e revistas. Sobram críticas para todos os lados, dos assessores jornalistas aos cientistas e aos jornalistas da Imprensa. Críticas como a não inclusão de uma profissional no mailing para recebimento de um jornal científico, envio de fotos de divulgação p&b para revistas coloridas e até a falta de contato entre as assessorias e a Imprensa segmentada são apenas alguns exemplos. Ás brechas existentes colaboram para a predominância das notícias estrangeiras referentes à C&T na grande Imprensa. Obviamente que a produção científica dos países considerados do Primeiro Mundo é superior à brasileira, mas o abismo poderia ser menor se houvesse um melhor entendimento e estratégias mais elaboradas pelas assessorias de comunicação das universidades, para "vender" a ciência paulista e, como conseqüência, a nacional. Fernando De Maria dos Santos é jornalista, professor dos cursos de Jornalismo da Universidade Santa Cecília e Unaerp - campus Guarujá,e mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo.