Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Da natureza para a farmácia

Publicado em 12 abril 2005

Uma planta nativa da Mata Atlântica, conhecida pelo nome de erva-baleeira ou maria-milagrosa, é a base de um antiinflamatório que já recebeu o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está previsto para chegar às farmácias ainda neste semestre.
"É o primeiro antiinflamatório tópico feito a partir do extrato de uma planta brasileira, a Cordia verbenacea", diz José Roberto Lazzarini, diretor médico e de pesquisa e desenvolvimento da Aché, empresa que vai lançar o produto em forma de creme com o nome comercial de Acheflan. "Existem antiinflamatórios de plantas medicinais, mas de outras origens, como África e outros países."
Patenteado no Brasil e no exterior, o novo produto pertence à classe dos fitomedicamentos, fármacos que têm em sua composição apenas substâncias ativas extraídas de plantas. Pela regulamentação da Anvisa, eles nunca podem estar misturados a princípios ativos sintéticos, vitaminas ou minerais. E as mesmas normas aplicadas para a produção de medicamentos devem ser seguidas para a de fitomedicamentos, como a comprovação de eficácia e de segurança.
"Em testes clínicos, o Acheflan demonstrou ser tão eficaz e seguro para os casos de tendinite crônica e dor miofascial quanto o principal antiinflamatório do mercado, que tem como princípio ativo o diclofenaco dietilamônio", diz Reynaldo Jesus-Garcia Filho, chefe da disciplina de Ortopedia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador das pesquisas na universidade. A dor miofascial tem como sintoma mais evidente dores musculares persistentes.
Estudos comparativos feitos com o creme de erva-baleeira e o de diclofenaco apontaram que o uso do fitomedicamento resultou em menos efeitos colaterais para os pacientes. (Agência Fapesp)