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Cosmetics

Da dose letal aos “end-points”

Publicado em 09 abril 2012

Meados do século XVIII e XIX: como milhares de substâncias químicas podem afetar a nossa saúde? A história certamente tem procurado explicar como tudo começou. Com certeza, fruto da exposição de animais “caseiros”, via oral, às substâncias químicas até a letalidade.

Os animais “caseiros”: em 1920 JW Trevan propôs o clássico método denominado dose letal média, LD50%, ou seja, dose única capaz de matar metade dos animais de experimentação. Recebido como inovador representa o primeiro teste para avaliação da toxicidade sistêmica aguda. Outros feitos científicos com animais “caseiros” prosperaram-se: Draize (1920) propôs a determinação da irritação cutânea e ocular. Outros ensaios a partir de 2000, continuam sendo publicados pela comunidade e por Órgãos Regulatórios. Da letalidade aos “end-points” a Toxicologia não para de crescer.

Os métodos alternativos: o termo alternativo - no contexto de toxicidade - tem sido usado para descrever alterações realizadas nas técnicas originais que empregaram animais de experimentação e que, nelas poderão acontecer uma das seguintes situações: substituição (replace), redução (reduction) ou refinamento (refinement). Em 1959 foi batizado 3Rs pelo “The Principles of Humane Experimental Technique”. Milhões de dólares têm sido investidos com o objetivo de eliminar ou minimizar o número de animais de experimentação.

Na busca de soluções para o desenvolvimento de métodos alternativos, foi criado em 1992 o ECVAM, com suporte técnico e financeiro de Estados membros da Comunidade Européia, com as seguintes atribuições: desenvolvimento de métodos alternativos, manter e controlar banco de dados, trabalhar junto aos órgãos reguladores, setor industrial, comunidade científica, organização de consumidores, sociedade protetora dos animais, laboratórios de pesquisas e organismos similares. Vários centros têm sido criados nos países desenvolvidos.

O projeto “ACuteTox” - Suécia 2005 - pode servir de modelo e estímulo à implantação de núcleos interativos, tão necessários à avaliação da toxicidade sistêmica. Participantes: 35 pesquisadores de 13 países da comunidade Européia, academia e indústria. (Atlas 35:33-38, 2007).

Embora não se aplique diretamente a ingredientes cosméticos, o projeto de integração entre sete universidades americanas também serve de referência, pois está direcionado ao desenvolvimento de projetos (Pesquisa Fapesp 169, 2010). Servindo assim de referência ao Brasil, pois integram e reduzem custos.

A Lei de Inovação Tecnologia completou cinco anos de vida, mas os resultados ainda são incipientes, pois a academia mostra certa timidez em associar-se a iniciativa privada na busca de resultados inovadores. Felizmente, contrariando nossa premissa, serve de louvor recente relatório da OECD que destacou o trabalho de Inovação Tecnológica Inova da Unicamp. (Pesquisa Fapesp 155, 2009).

Um bom momento de integração da comunidade Latina será a realização da 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Brasília, neste ano, ocasião para conhecer os programas implantados, prover a aproximação entre as partes e os órgãos de financiamento. (www.cgee.org.br/cncti4)

Perspectiva brasileira

No Brasil, a exemplo de outros países em desenvolvimento, com raras exceções, os animais de experimentação ainda constituem-se primeira opção de exposição às substâncias químicas na avaliação de toxicidade sistêmica. Felizmente os procedimentos para o uso científico de animais de experimentação foram objeto de recente regulação no Brasil (Lei nº 11794/08).

A recente publicação destacou os pontos necessários para alavancar o desenvolvimento e validação dos métodos alternativos no Brasil, a saber: as necessidades correntes, os aspectos regulatórios, comerciais, industriais, científicos e éticos. (Altex 26(4):295-298, 2010).

Bom trabalho de mediação vem sendo realizado pela Associação Brasileira de Cosmetologia com o objetivo de reunir, sob o mesmo teto, neste primeiro momento, as partes envolvidas na busca de meios para a criação de centros/núcleos de pesquisas em métodos alternativos.

Neste rol de responsabilidade devem estar incluídos os órgãos de apoio a pesquisa, os regulatórios, a Academia, as sociedades científicas, o setor produtivo, a disposição para intercâmbios com setores que já se encontram envolvidos neste trabalho.