Notícia

O Hoje (Goiânia, GO) online

CVV mantém luta por vidas

Publicado em 01 dezembro 2012

Por Vinicius Mamede

Quem tem mais de 20 anos certamente se lembra dos comerciais em que um número de telefone era apresentado como sendo um serviço capaz de salvar vidas. Trabalho que garantia um amigo anônimo pronto a ouvir os desabafos e totalmente comprometido a manter o sigilo. Com o passar dos anos e visível falta de divulgação, o serviço, antes tão famoso, acabou meio esquecido e até mudou de nome nos últimos oito anos, sem fazer muito alarde, passando de Centro de Valorização da Vida para “Como Vai Você?”, mas mantendo as mesmas iniciais, CVV. Mais de 30 anos depois de sua fundação, ele ainda resiste, mesmo em tempos de internet, graças aos voluntários que acreditam ainda ser possível salvar vidas por meio de uma boa conversa.

A diretora-geral do serviço em Goiânia, a professora aposentada Maria de Jesus Furtado, de 69 anos, diz que, mesmo depois de tanto tempo, o serviço continua o mesmo. “Ainda continuamos focados no mais absoluto sigilo e mais prontos a ouvir do que falar”, analisa ela. Mudança mesmo, só no número de voluntários, que agora preenchem menos da metade das vagas necessárias para a perfeita manutenção do serviço. “Para manter uma escala ideal de serviço, precisaríamos de 80 voluntários. No entanto, nesse momento, só temos 32.”

Apesar do número bem abaixo do necessário, Maria garante que o serviço continua funcionando 24 horas, ainda que apenas com um voluntário por turno. É tão variado quanto os problemas explicitados nos telefonemas, é o perfil dos atendentes, que vão de donas de casa a executivos. “São pessoas comuns, que também têm seus problemas e que, mesmo assim, estão prontas a ouvir o problema de outros sem fazer julgamentos ou críticas.”

Proximidade

O diferencial do serviço é a proximidade entre atendente e atendido, mesmo com o anonimato das partes. Para se ter ideia, bem diferente dos call centers tradicionais, os voluntários ficam acomodados em poltronas em um clima tão sereno quanto às conversas que levam durante as quatro horas e meia de trabalho. “E é justamente essa serenidade que faz toda a diferença na hora de dialogar com alguém, que pode estar prestes a tirar a própria vida”, garante ela.

Maria não fala com “achismos” quando diz que o serviço salva vidas. Prova disso é uma pesquisa realizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) com profissionais de saúde e seus pacientes levando em conta as sessões de aconselhamentos por telefone. Segundo a pesquisa, o serviço regular de telefonemas entre um e outro, durante um ano e meio, foi responsável por reduzir em até dez vezes a taxa de novas tentativas de suicídio por quem já tinha tentado tirar a própria vida.

Para atuar como voluntário do CVV basta ter acima de 18 anos e poder cumprir uma carga horária de quatro horas e 30 minutos seguidas durante o dia ou a noite. Antes de começar o trabalhão, o voluntário passa por uma especialização, que é feita nas tardes de sábado no posto do CVV em Goiânia.

Serviço

Posto CVV Goiânia
Edifício Anhanguera, sala 803, 8º andar
O edifício fica na avenida Anhanguera esq. Com a Tocantins, nº 5.389 (antigo Cine Capri)
O telefone de informações e do serviço é o (62) 3223-4041 ou o 141