Notícia

USP - Universidade de São Paulo

Curso oferecido por laboratório da FFCLRP pretende focar na preservação das orquídeas

Publicado em 27 abril 2011

Por Lucas Rodrigues

Distribuídas pelos cinco continentes e famosas pelas suas formas e cores variadas, as orquídeas são objeto de desejo de colecionadores e amantes de plantas. O que muitos desconhecem, entretanto, é que essas plantas são também temas de diferentes estudos científicos, que observam desde a sua anatomia floral até o sistema reprodutivo das espécies.

Na USP, esse tipo de pesquisa vem sendo realizada no Laboratório de Biologia Molecular e Biossistemática de Plantas (LBMBP) da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Além dos trabalhos acadêmicos, o Laboratório vai oferecer um curso sobre o assunto para a comunidade em geral. As inscrições vão até o próximo dia 30 (informações no final do texto).

De acordo com o professor Emerson Pansarin, atual coordenador do grupo, o estudo das orquídeas é importante pois possibilita a preservação das espécies e dos ambientes aos quais estão inseridas. Para ele, o interesse em realizar pesquisas sobre o assunto se deve, também, à necessidade de entendimento da sistemática dessas plantas e dos aspectos evolutivos de suas características.

Sobre o Laboratório

Com apenas dois anos de existência, o laboratório multidisciplinar surgiu com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio dos trabalhos que o professor Pasarin havia desenvolvido em seus cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

No curso de ciências biológicas da FFCLRP, o laboratório é responsável por algumas disciplinas curriculares, ministradas pelo professor Pansarin. Na graduação, são oferecidas as aulas Sistemática de Criptógamas, Estágios em Botânica e Biologia da Polinização. Na pós, é ministrada uma aula sobre Sistemática e evolução de Monocotiledôneas.

As pesquisas são concentradas principalmente na subfamília Vanilloideae, em que está incluída a baunilha, e a subtribo Stanhopeinae, da subfamília Epidendroideaae, como a Stanhopea lietzei, conhecida popularmente como "Cabeça de Boi" ou "Olho de Boi".

Segundo Pansarin, o grupo desenvolve seus trabalhos através de pesquisas de campo e de análises no laboratório. Na primeira forma, os pesquisadores avaliam os aspectos relacionados ao processo de polinização dessas plantas. Além disso, são realizados tratamentos para verificação do sistema reprodutivo. Muitas vezes isso também é feito no campo, pois muitas espécies não são cultiváveis. Já as pesquisas de laboratório envolvem duas frentes distintas: a de estudo dos recursos florais e a de biologia molecular.

Para os estudos de biologia floral, são observados aspectos da morfologia das flores e da anatomia (histologia) das estruturas produtoras de recursos florais das espécies, como nectários (estruturas que produzem néctar) e elaióforos (região que produz óleo), por exemplo.

Para as análises de biologia molecular, os pesquisadores extraem o DNA a partir do material coletado nos trabalhos de campo. Posteriormente, são feitas as amplificações (criação de múltiplas cópias) das regiões do DNA desejadas pelo método de PCR (reação em cadeia da polimerase). A partir dos produtos de PCR purificados, são feitos os sequenciamentos e as sequências são alinhadas em programas de computadores. Com esses materiais, são geradas árvores filogenéticas, que são hipóteses ou tentativas de reconstruir a história evolutiva dos grupos a partir de representantes viventes.

Obtidas as árvores filogenéticas, os dados sobre polinizadores e sobre os recursos florais são observados a fim de procurar entender como pode ter ocorrido a evolução dos sistemas de polinização dos grupos de orquídeas estudados. "Até chegar a esse ponto, o caminho é longo", afirma Pansarin. Segundo ele, "para cada espécie, é preciso fazer um estudo de caso".

Colaborações

Composto pelo professor e por alunos da graduação e pós-graduação, o LBMBP conta também com a colaboração de pesquisadores de outras instituições. No Brasil, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) são alguns exemplos. No exterior, o Laboratório tem parceria com o Jardim Botânico de Munique, na Alemanha, e com um grupo de estudos sobre plantas da Finlândia.

Sobre a participação dos alunos no laboratório, o professor considera muito importante. De acordo com ele, os estudantes "são bem participativos", e desenvolvem, além dos estudos sobre as orquídeas, projetos em outras áreas relacionadas.

Curso de extensão

O LBMBP oferecerá entre os dias 9 e 13 de maio a primeira edição do Curso de Orquídeas, destinado a todos os interessados na planta. Segundo o professor Pansarin, o objetivo do curso é "fornecer informação sobre as orquídeas" e focar no tema da preservação das espécies. Para ele, muitas pessoas acreditam que essas plantas estão mais seguras em suas casas, o que não é verdade. "Quando você tira uma planta da natureza, para a natureza ela está morta", explica.

As inscrições vão somente até o próximo sábado (30) e devem ser feitas através do formulário de contato do site do Laboratório. As vagas são limitadas e a seleção dos candidatos será feita através de entrevista.

A programação do curso pode ser conferida nesse link. Para mais informações, basta acessar o site http://sites.ffclrp.usp.br/lbmbp