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Diário Oficial do Estado de São Paulo

Curso discute as mudanças climáticas no planeta

Publicado em 13 dezembro 2017

Por Leonardo Battani

Mostrar o cenário global dos problemas ambientais e discutir estratégias de adaptação diante das transformações do clima. Com estes temas, foi realizado na última segunda-feira (11/12) o terceiro evento da parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Instituto do Legislativo Paulista (ILP).

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Gilberto Câmara trouxe ao público a questão: “em qual mundo viverão os nossos netos?”. E respondeu: se a forma de produção e consumo continuarem como estão, o futuro será mais quente, mais chuvoso e com mais catástrofes naturais.

A expectativa de aquecimento da Terra é de 8,5 °C até o fim do século, e isso deve-se à emissão de gás carbônico na atmosfera. “A capacidade do planeta de absorver as nossas emissões está se esgotando, cada consumo que se faz tem uma parte de degradação ambiental”, explicou Câmara, que complementou dizendo que o Brasil é um dos maiores emissores do planeta.

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Eduardo Assad defendeu o controle do desmatamento. Segundo ele, o desmatamento zero é possível e não comprometeria a produção de alimentos.

Assad argumentou que não se podem contestar as mudanças climáticas: “não é uma questão de crença, mas de dados”. Além disso, explicou que o aumento da temperatura na Terra afeta diretamente o cultivo de algumas culturas, causando o abortamento, por exemplo, das flores do café, laranja e feijão.

Além disso, o calor em excesso ocasiona o acréscimo na evaporação dos rios e na evapotranspiração, ou seja, a perda de água do solo e transpiração das plantas, deixando-as mais secas. Outro prejuízo causado pela temperatura elevada é a escassez hídrica.

Para mudar esse ritmo de degradação, o pesquisador propõe a implementação de sistemas integrados que possam reunir as capacidades da lavoura-pecuária-floresta, retirando o melhor de cada ambiente para mitigar o impacto ambiental causado. Já o coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo, correlacionou as mudanças climáticas com a maior frequência de catástrofes naturais, como eventos extremos de chuva e deslizamentos de terra.

Marengo também fez um paralelo entre questões socioeconômicas e o clima. “As pessoas que vivem em áreas de risco são as mais afetadas e, em casos extremos, uma mortalidade maior é possível. Nos últimos 50 anos as chuvas e as secas estão mais intensas e as ondas de calor e de frio também, e as áreas mais pobres são as mais impactadas”, explicou.

Estiveram presentes no curso o diretor-presidente da Fapesp, Carlos Américo Pacheco, os deputados Davi Zaia (PPS) e Orlando Bolçone (PSB), além do presidente do ILP, Vinícius Schurgelies.