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Blog do Mestrado Profissional em Saúde Ambiental

Curso de extensão “Saúde Ambiental na Macrometrópole Paulista” foi aberto pelos professores Paulo Saldiva e Pedro Jacobi, da USP e a professora Renata Ferraz de Toledo, da FMU

Publicado em 20 novembro 2018

O Curso de extensão “Saúde Ambiental na Macrometrópole Paulista”, organizado pela Profa. Dra. Renata Ferraz de Toledo, docente do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Ambiental da FMU, foi aberto em meados do mês de outubro, com a participação do professor Pedro Jacobi, livre-docente da Faculdade de Educação da USP, professor titular do Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental (PROCAM/IEE/USP) e coordenador do Projeto Temático de Pesquisa “Governança ambiental na Macrometrópole Paulista face à variabilidade climática”, com financiamento Fapesp (Processo 2015/03804-9) e Paulo Saldiva, que é professor titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e o atual diretor do Instituto de Estudos Avançados (USP).

A professora Renata, que faz parte do projeto como pesquisadora, apresentou os objetivos e o programa do curso. Temas como mudanças climáticas, objetivos do desenvolvimento sustentável, saneamento ambiental e o nexo entre água, energia e alimentos, gestão dos resíduos, resiliência, entre outros, serão abordados e discutidos por renomados pesquisadores da área, por meio de 10 encontros teórico-práticos, na perspectiva da interdisciplinaridade e da aprendizagem social.

O Prof. Dr. Pedro Jacobi falou sobre a relevância do Projeto de Pesquisa, a começar por sua dimensão territorial, já que a Macrometrópole Paulista abrange 174 municípios nas regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista, Campinas e Vale do Paraíba e Litoral Norte e as aglomerações urbanas de Jundiaí e de Piracicaba e as microrregiões de São Roque e Bragantina. Assim, frente aos desafios da variabilidade climática e dos atuais processos de degradação socioambiental, escassez hídrica, demanda por energia, segurança alimentar, entre outros aspectos, cerca de 60 pesquisadores, de diferentes áreas e instituições, como USP, UFABC, FMU e ITA buscam, de forma interdisciplinar, melhor compreender este contexto e promover inovação nas formas de governança.

O Prof. Dr. Paulo Saldiva contribuiu com a palestra inaugural do Curso, intitulada “A saúde de nossas metrópoles e a importância das abordagens interdisciplinares”. Saldiva costuma se apresentar como gaitista e ciclista. De fato, ele foi para o evento de bicicleta. Essa sempre foi uma preocupação do professor e um dos assuntos da sua apresentação – o transporte em uma das maiores metrópoles do mundo e a “nossa insistência” em privilegiarmos os carros, mesmo diante das inúmeras evidências de ser esta uma modalidade de transporte geradora de poluição atmosférica. Segundo ele, infelizmente, “temos um caso de amor com aquilo que nos mata”.

Durante a palestra, Saldiva fez associações entre o metabolismo do corpo humano e o “metabolismo” das cidades. Assim como bactérias e vírus se agrupam, as pessoas também o fazem em comunidades. Mas nos grandes centros urbanos a forma como as pessoas vivem e se organizam na atualidade não tem favorecido a proteção aos seres humanos. Para exemplificar o professor apresentou três graves problemas de saúde pública e sua forte relação com as cidades: a obesidade, a saúde metal e o câncer.

Sobre a obesidade explicou que as cidades praticamente não produzem mais alimentos, limitam as possibilidades de atividades físicas, por exemplo, pela predominância do transporte automatizado que estimula as pessoas ao sedentarismo. Saldiva lembrou ainda que o alimento considerado “ruim” para saúde, é também o mais barato. Quanto à saúde mental, nos chamou à atenção para o fato das cidades diminuírem nossa possibilidade de conviver com a diversidade, por exemplo, ao optarmos por morar nestes grandes condomínios “fechados”. O estresse, dormir pouco, preocupação com demandas que não se findam têm contribuído para o aumento de casos de depressão, esquizofrenia, entre outras doenças mentais. Segundo o professor, as pessoas não se permitem adoecer no decorrer da semana, pois mesmo que se sintam mal, deixam para se cuidar, “se der tempo”, no final de semana. Lembrou ainda a importância de nos atentarmos para o fato de que são, na verdade, as relações afetivas e sociais que aumentam nossa expectativa de vida. Mas será que as cidades têm facilitado o “encontro das pessoas”? E, sobre o câncer, explicou sua associação com a infraestrutura das cidades, mas também aos seus valores culturais. “Somos fumantes passivos” nos centros urbanos, disse ele, fazendo referência à poluição atmosférica. Entretanto, embora tenhamos evidências de que a “mancha urbana” de poluição seja muito maior no centro das cidades, quem acaba a “levando pra casa” são as pessoas que moram nas áreas periféricas, ou seja, maiores efeitos da poluição atmosférica serão sentidos por aqueles que passam, por exemplo, horas no transporte público para se deslocar – “a cidade é desigual”.

Por fim, Saldiva reforçou a importância de valorizarmos as oportunidades que temos de discutir os problemas e as soluções que as cidades, especialmente das grandes metrópoles, nos apresentam, como por meio deste Projeto Temático de Pesquisa e por este Curso de Extensão que está sendo oferecido na FMU. Segundo ele, temos o desafio de produzir ciência qualificada, de forma transparente e em linguagem mais acessível. Para o professor, uma das formas de sensibilizar melhor as pessoas, por exemplo, quanto aos riscos das mudanças climáticas, é chamando à atenção para os co-benefícios da sustentabilidade para a saúde humana.

Paulo Saldiva é professor titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e o atual diretor do Instituto de Estudos Avançados também da USP. Link para currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/5450805572417395

Pedro Jacobi é livre-docente da Faculdade de Educação da USP, professor titular do Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental (PROCAM/IEE/USP) e coordenador do Projeto Temático de Pesquisa “Governança ambiental na Macrometrópole Paulista face à variabilidade climática”, com financiamento Fapesp (Processo 2015/03804-9). Link para currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/6799067928413168

Renata Ferraz de Toledo é docente do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Ambiental da FMU e pesquisadora do Projeto Temático de Pesquisa “Governança ambiental na Macrometrópole Paulista face à variabilidade climática”, com financiamento Fapesp (Processo 2015/03804-9). Link para currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/9353356185041966