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MCTIC - Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

Curso a distância capacita professores em Astronomia

Publicado em 14 outubro 2009

Por Valéria Dias

Um curso oferecido à distância com o objetivo de capacitar os professores da rede pública de ensino fundamental e médio para lecionarem Astronomia. Esta será uma das primeiras iniciativas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Astrofísica. A estimativa é que 15 mil docentes sejam capacitados a cada ano. A meta é atingir, em 10 anos, cerca de 150 mil pessoas em todo o Brasil.

Serão sete módulos que abordam termas como Sistema Solar, Estrelas e Universo. O INCT de Astrofísica é um projeto que envolve 144 pesquisadores, de 27 instituições, de nove estados, coordenado pelo professor João Evangelista Steiner, do Instituto de Astronomia e Geofísica (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). O Instituto integra uma iniciativa do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com a pesquisadora Elysandra Figueredo, do IAG, estimativas apontam que existem no Brasil cerca de 300 mil docentes na área de Ciências. Destes, apenas 15 % têm licenciatura em Física, área em que atuam. Entretanto, a maior parte das faculdades de Física não oferece Astronomia na grade curricular, fazendo com que professores que não dominem conceitos ligados a esta área acabem tendo de ensinar a disciplina, como os formados em Geografia e Química, por exemplo.

Mas como ensinar algo que não se conhece? A formação que o professor recebe não o capacita de maneira adequada para que ele ensine Astronomia. Então este curso a distância objetiva capacitar o professor para que domine alguns conceitos que serão repassados aos alunos, explica Elysandra.

Ela informa que o curso faz parte de um dos cinco objetivos estratégicos do INCT de Astrofísica, que é o de criar uma linha de ação voltada para a disseminação de conceitos básicos de Astronomia no âmbito escolar. Um professor da rede pública tem uma média de 50 alunos em sala de aula, então ele multiplica conhecimento. Nossa intenção é disseminar conceitos de Astronomia por meio da capacitação aponta Elysandra. Este curso pode ser considerado como um retorno que estamos dando para a sociedade, afinal é ela quem custeia as universidades públicas, completa.

O curso

Elysandra, que hoje é pesquisadora pós-doc do IAG, em conjunto com outros cinco pesquisadores das universidades participantes, está trabalhando no conteúdo programático do curso, que será todo baseado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Em novembro, esses pesquisadores apresentarão um projeto final para o Comitê Científico do INCT de Astrofísica. A previsão é que um Projeto Piloto do curso já esteja pronto em 2011, informa.

De acordo com Elysandra, a intenção é oferecer um curso de excelência, que não tenha fronteiras, por isso oferecê-lo à distância. Se fosse presencial, iria demorar mais, e também excluiria professores que moram longe dos grandes centros, diz. Cada uma das 27 instituições que formam o INCT de Astrofísica servirá como um pólo regional de ensino.

Segundo a pesquisadora, o curso está planejado para oferecer todos os recursos tecnológicos possibilitados pela educação a distância, lembrando que nem todas as escolas públicas têm acesso a banda larga. Queremos oferecer um curso que, basicamente, poderá ser acompanhado via internet discada, com o mínimo de uso de banda larga, comenta.

Elysandra conta que será oferecido um curso de aperfeiçoamento que totalize 210 horas. Essas horas serão distribuídas em sete módulos: Uma Visão Geral de Astronomia, O Planeta Terra, Sistema Solar, Estrelas, Nossa Galáxia, As Galáxias e, finalmente, O Universo. Cada módulo terá duração de três semanas, com dedicação de dez horas por semana (aulas e estudo). Ao final de cada módulo o professor recebe um certificado. Cada módulo aborda, no máximo, 15 conceitos importantes de cada tópico, sempre considerando os PCNs.

Além de Elysandra, os outros cinco pesquisadores que são responsáveis por esta parte do projeto são Maria de Fátima Oliveira Saraiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS); Newton Figueiredo, da Universidade Federal de Itajubá (UFI), em Minas Gerais ; Vera Martins, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia; Carlos Maximiliano Dutra, da Universidade Federal dos Pampas (UFP), no Rio Grande do Sul, e Jules Soares, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Bahia.

Além deles, o grupo conta com a consultoria da pesquisadora Marisa Cassim, que já ocupou cargos tanto no Ministério da Educação (MEC), como no CNPq e no MCT. O comitê de ensino e divulgação do INCT de Astrofísica é coordenado pelo professor Augusto Daminelli, do IAG.

Com informações da Agência USP