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Curiosidade é essencial ao jovem pesquisador, diz vencedor do Nobel

Publicado em 12 fevereiro 2014

Por Karina Toledo, da Agência FAPESP

Prêmio Nobel de Medicina em 1991, o biofísico alemão Erwin Neher, esteve em São Paulo (SP) nos últimos dias de janeiro, quando participou das palestras da exposição científica Túnel da Ciência Max Planck, concedendo uma entrevista à Agência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) sobre sua carreira e sobre a Ciência atual.

Indagado sobre o que aconselharia aos jovens cientistas, Neher respondeu.

“Para um cientista, é realmente importante ser cativado por um problema e isso significa estar constantemente pensando a respeito desse assunto. É o que chamo de estilo de vida da ciência. Claro que é impossível fazer isso 24 horas por dia; é preciso dormir, interagir com a família e tudo o mais. Mas, pelo menos, sempre que estiver sozinho, nos momentos tranquilos, deve-se pensar sobre seu problema, avaliar os experimentos de seu laboratório em um outro contexto, comparar os resultados com sua hipótese e tentar buscar soluções de diferentes ângulos. O jovem pesquisador deve avaliar se tem essa curiosidade que o cativa. Em seguida, deve avaliar se o problema que o instiga é pelo menos importante o suficiente para lhe prover o sustento. Afinal, não se vive de ar. Uma vez que esses dois requisitos forem atendidos, deve verificar se tem as habilidades que o tornam capaz de alcançar seus objetivos”.

Erwin Neher revolucionou a Ciência Médica em 1976, quando, juntamente com o fisiologista Bert Sakmann, desenvolveu o método Patch-Clamp, que consiste em medir corrente elétrica em células. O experimento possibilitou realizar pesquisas de Eletrofisiologia com células de mamíferos.

Com os avanços da pesquisa, laboratórios do mundo inteiro utilizam-se desse método em várias doenças de mau funcionamento de canais iônicos, como Fibrose Cística, Fibromialgia e a Síndrome Brugada, que é um tipo de arritmia hereditária.

O Patch-Clamp também auxiliou no tratamento de alguns casos de dores crônicas e da diabetes neonatal, além de contribuir na produção de medicamentos mais seguros.

Publicado por Redator

Fonte: (Agência Fapesp)