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Emsinapse

Curativo à base de abacaxi?!

Publicado em 29 junho 2018

A muitos que dizem que o brasileiro deve ser “estudado” por sua criatividade. Aqui nós temos mais um exemplo dessa criatividade e de muito estudo. Foi inventado por brasileiros um curativo à base de abacaxi que acelera o processo de cicatrização, removendo as células mortas dos ferimentos, limpando-o.

O curativo, em forma de gel ou emplastro, associa proteínas do abacaxi, bromelina, com celulose produzida por bactérias e age como anti-flamatório cicatrizante de ferimentos, queimaduras e ulcerações. A pesquisa surgiu de uma associação entre as universidades de Sorocaba (Uniso) e da Unicamp com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O composto Bromelina é utilizado como amaciante de carne e tem propriedade de quebrar moléculas de outras proteínas, o que faz com que ela remova as células mortas da ferida. A pesquisa foi publicada no periódico Scientific Reports, do grupo Nature.

Já a celulose é um biopolímero sintetizado, principalmente, por plantas, mas que também pode ser produzido por alguns microorganismos, como a bactéria Gluconacetobacter xylinus.

“Essa bactéria é uma biofábrica. Ela produz a celulose como se tricotasse polímeros de glicose (açúcar). Como o produto é um tecido de nanoestruturas (um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro ou um bilionésimo de metro) o chamamos de nanocelulose.” – explica a pesquisadora Angela Faustino Jozala, do Laboratório de Microbiologia Industrial e Processos Fermentativos da Uniso, uma das autoras do artigo.

O composto já vem sendo utilizada em diversas aplicações médicas, como, por exemplo, em enxertos e substitutos temporários de pele ou curativos no tratamento de lesões.

“Escolhemos a bromelina porque já conhecíamos suas características e porque a indústria de alimentos, quando produz a polpa de abacaxi, joga a casca e o talo da fruta fora. É fonte barata de obtê-la. Aproveitamos que a equipe da Unicamp já a vinha extraindo desses resíduos para trabalhar em conjunto. Nesse cenário, surgiu a ideia de inseri-la na nanocelulose bacteriana, que se mostrou como o sistema mais promissor para sua veiculação. Hoje, temos pesquisado o aumento da estabilidade da proteína com o uso de nanopartículas de quitosana (substância encontrada no exoesqueleto de crustáceos, que tem propriedades cicatrizantes).” – diz Jozala.

Um bom curativo deve possuir capacidade antioxidante, para reduzir o processo inflamatório gerado por células mortas e pus e apresentar uma barreira microbiana, impedindo que microorganismos externos entrem em contato com a ferida. Estes quesitos foram preenchidos pela proteína do abacaxi.

O novo curativo já passou pela fase 1 dos testes de medicamentos, que são os testes em laboratório para ver a toxidade dos produtos, a segunda fase a ser realizada são os testes em animais.

Fonte.

Mais uma pesquisa descobre o uso medicinal em um item extremamente comum do dia-a-dia de diversos brasileiros. Uma demonstração de como a pesquisa científica é importante para a sociedade com todas as suas aplicações. Gostou do post? Deixe o seu comentário e compartilhe com seus amigos! Ótimo final de semana para todos vocês!