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Information Week Brasil

Cultura e identidade são fundamentais em inovação colaborativa

Publicado em 18 maio 2012

Embora mais comum no ambiente industrial – seja ele tecnológico, farmacêutico ou de qualquer outro setor -, as parcerias entre empresas e universidades foram e são um instrumento importante para evolução da pesquisa e inovação de um país. No Brasil, com o crescimento econômico e iniciativas governamentais que favorecem a pesquisa, a tendência é de aumento do investimento em P&D e, também, ampliação nas interações entre setor privado e academia.

A Ericsson, por exemplo, há algum tempo tem costurado parcerias com universidades brasileiras e seu diretor de inovação, Jesper Rhode, afirma que muitas das pesquisas produzidas por aqui foram aproveitadas em âmbito global. “Nossa ambição é que o País se torne plataforma produtiva e competitiva para servir América Latina e África nos próximos dez anos.” Por aqui, a fabricante conta com 375 pessoas no ecossistema de pesquisa e desenvolvimento e, no acumulado dos anos, investiu em torno de US$ 1 bilhão. “O custo para realizar pesquisa no Brasil já é competitivo em nível global. Projetos produzidos aqui contribuem para o nosso portfólio global.”

Entre os parceiros da Ericsson no Brasil estão a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal do Ceará, CPqD e Fapesp. Eles pesquisam assuntos que vão desde redes pós-LTE, passando por computação em nuvem e aplicações de mobilidade e redes de distribuição de conteúdo. Mas ter sucesso nesse tipo de parceria é preciso muito mais que uma oferta financeira ou possibilidade de intercâmbio internacional. Como bem explica Sérgio Queiroz, coordenador adjunto de pesquisa para inovação na Fapesp, é preciso um entendimento das diferenças e da identidade do parceiro.

“São instituições com diferenças culturais. Na universidade, existe uma fonte de boas ideias e pessoal qualificado, cria e difunde conhecimento, mas missão fundamental é formar pessoas, já as empresas existem para gerar riqueza e lucro para os acionistas, cria e aplica conhecimento e lida com muito sigilo, segredo industrial e na universidade é tudo muito aberto”, detalha Queiroz.

Outro ponto essencial levantado por Queiroz é que não se pode substituir a pesquisa na universidade pela produzida internamente nas companhias. “Por mais que a onda de inovação aberta amplia o papel da pesquisa em colaboração, o que é muito bom, a pesquisa interna é essencial. Pegue a Petrobrás que é bem sucedida em busca de petróleo, vemos que ela obtém resultado porque faz as duas coisas, tem atividade interna consistente e em cooperação com praticamente todas as instituições de pesquisa importante no País e no exterior, talvez, seja a empresa que melhor construiu essa rede de pesquisa colaborativa no País.”

O especialista da Fapesp compartilhou alguns dados interessantes sobre o fomento à pesquisa no Brasil. Lembrou que, embora o ambiente esteja muito mais favorável que no passado, hoje o País aplica em torno de 1,1% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. Em nações mais avançadas esse porcentual chega a 3%. Outra diferença em relação aos países ricos é que, por lá, a iniciativa privada chega a contribuir com 70% do financiamento; por aqui, é praticamente meio a meio.