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Diário do Comércio (MG) online

Cultura da cana-de-açúcar tem expansão em SP

Publicado em 11 setembro 2008

Cultivo já ocupa mais da metade da área da principal região agrícola paulista - a bacia dos rios Mogi-Guaçu e Pardo.

 

O plantio de cana-de-açúcar cresceu de 21% para 44% da cobertura de terras na bacia dos rios Mogi-Guaçu e Pardo, a principal região agrícola paulista no período de 1988 a 2003.

A expansão foi de pouco mais de 1 milhão para quase 2,3 milhões de hectares, principalmente sobre as áreas de pastagem, que caiu de 27,27% para 15,45%, e de culturas anuais, reduzida de 17,61% para 4,44%, conforme estudo divulgado ontem pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Predomínio

"Agora a cana já ocupa mais da metade das terras agrícolas daquela região", afirmou o professor Ademar Ribeiro Romeiro, do Instituto de Economia (IE) da Unicamp, que coordenou o projeto Fapesp denominado EcoAgri, em que se realizou um diagnóstico ambiental da agricultura no Estado de São Paulo, que começou em 2003 e terminou em 2007. Dele participaram mais de 20 pesquisadores do IE e da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp; da Embrapa com suas unidades de Meio Ambiente, de Informática Agropecuária e de Monitoramento por Satélite e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Segundo o coordenador, apesar da predominância da cana-de-açúcar, a bacia do Mogi-Pardo mantém outras culturas comerciais importantes – como a laranja, voltada à exportação de suco, do café na parte de serra e de cultura irrigada – além da criação animal de qualidade que gera matrizes para reprodução.

O mapeamento por satélite apontou um ligeiro decréscimo na área de agricultura e pecuária, de 75% em 1988 para 74% em 2003, devido principalmente à expansão urbana.

Por isso, o grande crescimento da produção agrícola é creditado à incorporação de tecnologias e a uma melhor adequação topográfica e pedológica na localização dos cultivos.

Uma das metodologias aplicadas no EcoAgri permitiu avaliar os impactos sociais e econômicos da atividade agrícola na região nordeste. Por exemplo, que a área atualmente ocupada pela cana, em comparação com a situação de 1988, propiciou um ganho de quase R$ 1,5 bilhão na renda bruta e de R$ 60,7 milhões em impostos diretos; em contrapartida, representou a perda de 21,5 mil empregos diretos. (AG)