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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Cubanos mostram projeto Havana Velha em fórum sobre patrimônio histórico

Publicado em 19 outubro 2011

Por Luiz Sugimoto

"Viemos falar especificamente sobre o projeto da Havana Velha, que inclui a total participação da população da própria cidade, bem como de todo cubano que queira se vincular ao processo que levou ao reconhecimento desta área como patrimônio da humanidade, desde 1982. Isso tem feito com que o governo faça um grande esforço para manter e seguir trabalhando o patrimônio, tudo dentro do que requer a Carta da Unesco de 64", adiantou a professora Lourdes Domingues, antes de conceder a conferência de abertura de mais uma edição do Fórum Permanente de Arte & Cultura, na manhã desta quarta-feira (19), no Centro de Convenções da Unicamp.

Na primeira mesa, mediada por Aline Vieira de Carvalho, os cubanos Gabino La Rosa Corso e Lourdes Domingues"A Havana Velha é um museu, um museu vivente"Com o tema "Desafios do Patrimônio: debates entre o nacional e o internacional", o fórum procurou discutir os desafios enfrentados nos estudos sobre patrimônio no Brasil e no mundo, reunindo estudiosos que investigam diversas temáticas patrimoniais em diferentes contextos. Para isso, foram apresentadas múltiplas experiências e perspectivas que permitissem a reflexão e o diálogo sobre questões relativas não apenas a patrimônio, mas também a memórias e identidades. O evento foi organizado pelos professores Pedro Paulo Funari (IFCH) e Maria Cristina Menezes (FE) e pela pesquisadora Aline Vieira de Carvalho (Nepam).

Lourdes Domingues veio à Unicamp com seu colega da Oficina del Historiador (Havana), professor Gabino La Rosa Corso, que ocupou a mesa como debatedor para a conferência "Patrimônio participativo: experiências em Cuba". Segundo a pesquisadora, o território da Havana Velha não é grande e está bem demarcado porque antigamente havia uma muralha que o cercava. "Do século 16 ao século 19, ergueram-se muitas edificações dentro da área e as mais antigas foram reconstruídas no projeto levado a cabo nos anos 60. forum_pedro_290x240_111019.jpgA Havana Velha é um museu, um museu vivente, onde vivem pessoas que também trabalham na preservação. É um processo bastante interessante e novidadeiro".

Pedro Paulo Funari, professor do Departamento de História e coordenador do Centro de Estudos Avançados (CEAv) da Unicamp, apontou a necessidade de aumentar o diálogo entre os estudiosos da área. "Há muita pesquisa sobre patrimônio no Brasil e na América Latina, sendo que o objetivo do encontro é congregar pessoas com essa experiência em ambiente de discussão e troca de ideias. Outra questão a ser debatida é que, em nosso país, temos uma experiência ligada à ação do Estado: existem programas de defesa do patrimônio nos três níveis de governo, mas muitas vezes falta integração com a população local, o que é importante para a preservação".

O professor Marcos Tognon (IFCH) daria uma palestra sobre "Patrimônio Cultural Rural Paulista", juntamente com pesquisadores do Centro de Memória da Unicamp (CMU). "É um projeto de quatro anos envolvendo onze universidades e que será finalizado em maio, com financiamento de 500 mil reais da Fapesp que permitiu um grande inventário de fazendas do Estado de São Paulo. A ideia é criar alternativas para os gestores de propriedades que querem manter o patrimônio frente a inúmeras pressões como a urbanização ou a especulação agrícola relacionada à cana. Esses gestores estão atentos ao processo correto de preservação, incluindo o turismo sustentado e a visitação de escolares. É um patrimônio enorme, não apenas de edifícios, mas também de máquinas, bibliotecas, discos. Uma fazenda mantém um cinematógrafo francês, trazido da França em 1901 e que a família já não sabe como usar."