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CTC prevê unidade de etanol celulósico acoplada a usina em 2012

Publicado em 27 julho 2010

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), confiante após obter reduções importantes de custos de produção de etanol celulósico em sua unidade piloto em Piracicaba (SP) nos últimos anos, prevê instalar até 2012 uma planta do gênero acoplada a uma usina tradicional.

Inicialmente, essa "unidade de demonstração" terá o objetivo de produzir volumes equivalentes a 25 por cento do total produzido pela planta tradicional. Quando os processos estiverem completamente testados, a usina, com a unidade acoplada, terá sua capacidade de produção elevada em 40 por cento.

O etanol celulósico, diferentemente do biocombustível tradicional feito a partir do suco da cana, utilizará o bagaço e a palha como matérias-primas, que serão hidrolisadas por enzimas antes dos processos de fermentação e destilação.

"Nosso processo é o único integrado à usina atual, vai aproveitar o bagaço disponível (subproduto da moagem)... e vai produzir 40 por cento mais de etanol", declarou nesta terça-feira a jornalistas o diretor superintendente do CTC, Nilson Boeta.

Ele destacou que, embora o sistema utilize o bagaço da cana, hoje queimado para a produção de bioeletricidade, a usina com o projeto do CTC terá preservada sua atual capacidade de geração elétrica, também pela palha da cana que entrará no processo.

O CTC, instituição de pesquisa mantida por empresas do setor sucroalcooleiro, já conseguiu superar alguns desafios, como a redução de custos de produção, desde que iniciou o processo de obtenção de etanol a partir da biomassa em 2007.

Segundo o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial do CTC, Thomas Ritter, a entidade conseguiu reduzir os custos de produção em um terço. "O nosso objetivo é que o etanol celulósico custe algo próximo ao tradicional", declarou Boeta.

Atualmente, o também chamado biocombustível de segunda geração custa o dobro do tradicional, acrescentou o diretor superintendente.

Uma vantagem de integrar a produção do etanol celulósico à de unidades tradicionais tem relação também com a farta disponibilidade de matéria-prima. Para incrementar ainda mais essa oferta, o centro está desenvolvendo com a New Holland um equipamento de compactação e enfardamento da palha deixada nos campos após a colheita mecanizada, que já acontece em mais de 50 por cento das unidades paulistas.

De acordo com a entidade, a recuperação de apenas 50 por cento da palha que hoje fica nos campos permitirá o aumento de até 70 por cento na geração de eletricidade, em relação ao potencial atual somente com o bagaço.

O CTC, que tem parceria com a Novozymes, maior produtora mundial de enzimas, ainda não definiu qual unidade entre as 143 de seus associados receberá a planta de etanol celulósico em 2012.

"Tem que ser uma usina ideal para o conceito, tem que ser selecionada pelos méritos da unidade...", declarou ele.

Cana Transgênica

Com um orçamento para 2010 de 60 milhões de reais, sem considerar as parcerias e investimentos a fundo perdido de entidades como a Fapesp, Finep e Comunidade Europeia, o CTC também trabalha no desenvolvimento de variedades de cana transgênicas.

Nessa área, com parcerias com multinacionais do setor, a instituição desenvolve cana com genes resistentes a insetos (junto com a Dow), outra com genes que se caracterizam pela tolerância à seca (com a Basf) e uma terceira com genes que vão agregar mais açúcares à planta (em acordo com a Bayer).

Segundo o diretor superintendente, o CTC deverá pedir a liberação comercial à CTNBio, o órgão do governo que aprova organismos geneticamente modificados, em até quatro anos.

O diretor de Desenvolvimento de Pesquisa, Tadeu Andrade, afirmou que a cana resistente a insetos deverá ser a primeira a chegar ao mercado, considerando que essa característica de transgenia já é amplamente utilizada na agricultura, tendo exemplares plantados comercialmente no caso da soja e do milho.

Uma cana transgênica poderá ter uma produtividade 20 por cento superior a uma variedade tradicional, segundo o executivo do CTC, que lançou 20 novas variedades convencionais mais produtivas no mercado nos últimos cinco anos.