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CTC anuncia usina para a segunda geração de etanol

Publicado em 28 julho 2010

O Centro de Tecnologia Canavieira confirmou a inauguração de uma usina para produção de etanol celulósico

O diretor-superintendente do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma das instituições de pesquisa e excelência mais importantes do mundo, sediada em Piracicaba, Nilson Zaramella Boeta, confirmou nesta terça-feira (27), em sala localizada no terceiro andar do Hilton São Paulo Morumbi, a inauguração, no final de 2012, de uma usina para produção de etanol celulósico. Na prática, é o desenvolvimento do álcool combustível de segunda geração.

O encontro foi marcado para que a direção do CTC fizesse um balanço do que aconteceu nos últimos cinco anos, quando a instituição tornou-se independente da Copersucar, e para uma visão de futuro para os próximos 10 anos, ou seja, até 2020.

A nova unidade de etanol celulósico, que terá capacidade para produzir mil litros de etanol, a partir da celulose, funcionará integrada a uma usina convencional, num espaço de um quarto de área de um parque fabril tradicional, terá rendimento prospectado em mais de 40% em relação ao álcool convencional.

Detalhe: essa tecnologia, com qualidade de primeiro mundo, não demandará num aumento da gleba plantada, tampouco dos projetos de cogeração. Na prática, haverá a manutenção da autossuficiência energética industrial.

A coletiva de imprensa, da qual participaram executivos do CTC, atualmente uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), reuniu os executivos da entidade, que falaram para uma plateia atenta, formada por jornalistas especializados no setor sucroalcooleiro, de diversas mídias, inclusive a agência de notícias Reuteurs. O etanol celulósico é feito à base do bagaço e da palha da cana e sua produção não é nada barata.

EVOLUÇÃO. De acordo com o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro, Tadeu Andrade, atualmente, o investimento neste moderno viés de combustível renovável, limpo, ótimo para o meio ambiente e bom para o bolso dos produtores, custa duas vezes mais que a produção do chamado etanol comum.

Nos últimos anos, houve uma redução de um terço dos custos. O objetivo é de que, num futuro próximo, os custos referentes à novidade atinjam o mesmo patamar do etanol que abastece os carros nos postos, hoje em dia.

Agregar produtividade ao novo jeito de fazer etanol é uma das metas do CTC, que aposta todas suas fichas nesse projeto, inovador, audacioso e arrojado.

Nova cana resistente

Mais novidades pelos lados do CTC. Questionado pelos repórteres sobre o que virá pela frente em relação à transgenia (transformação genética), o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Tadeu Andrade, disse que a primeira nova espécie modificada deverá ser a de cana-de-açúcar resistente a insetos. Seria algo estratégico, importantíssimo ao setor sucroalcooleiro.

A segunda demanda, por sua vez, deverá ser a cana tolerante à seca, no que Andrade classificou de "delta a mais de produtividade aos canaviais, sem contar aos produtores". "Saber tudo isso de forma antecipada - enfatizou, numa alusão ao CTC, sempre pioneiro -, é vital para nós", contou o diretor.

De todos os materiais geneticamente modificados, supervisionados pelo Centro de Tecnologia Canavieira, 90% do que será desenvolvido, no futuro, é resistente a doenças.

Em 1994, o CTC realizou a primeira transformação genética de cana-de-açúcar, no Brasil, gerando uma variedade resistente a herbicidas.

Bom para a lavoura, para o meio ambiente e todos nós, uma vez que a baixa intensidade de produtos químicos atenua os efeitos avassaladores delineados para a cana. Em síntese, quanto menos herbicidas, melhor.

Em 2007, foi constituída uma estufa de cinco mil metros quadrados, seguindo os padrões de biossegurança, para a avaliação simultânea de seis mil plantas transgênicas. Em parceria com a Fapesp, órgão de fomento à pesquisa do Estado de São Paulo, o CTC mapeou o genona (o DNA) da cana, e identificou vários genes que foram patenteados.

A expectativa, para os próximos cinco anos, é de que sejam oferecidas variedades 25% mais produtivas que as convencionais