Notícia

Gazeta Mercantil

CTA adia em um mês lançamento de foguete

Publicado em 07 fevereiro 2003

Por Virgínia Silveira - de São José dos Campos
O Centro Técnico Aeroespacial (CTA) adiou para o mês de maio a operação de lançamento do foguete VLS, que estava programada para acontecer em abril. As equipes técnicas que participarão da campanha de lançamento iriam embarcar hoje para o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, mas a operação também foi transferida para daqui há trinta dias. A decisão de adiar o lançamento, segundo o diretor do CTA, Brigadeiro Tiago da Silva Ribeiro, foi tomada em função de problemas com o receptor de telemetria do CLÃ, equipamento considerado crítico durante uma operação de lançamento. O receptor de telemetria faz a aquisição e a análise dos dados durante o lançamento do foguete. "As equipes técnicas envolvidas com o VLS devem embarcar para Alcântara no dia 7 de março", afirmou. Mais de 120 engenheiros e técnicos do CTA serão levados para Alcântara, onde também um número semelhante de especialistas e funcionários da base será remanejado para a campanha de lançamento. Toda a operação de lançamento do foguete, envolvendo, inclusive a parte de segurança da base, pagamento de diária para os especialistas, alimentação, energia elétrica, combustíveis e manutenção dos equipamentos, terá um custo da ordem de R$ 2,5 milhões. O CTA, de acordo com o brigadeiro Ribeiro, ainda aguarda a liberação de R$ 480 mil para a finalização dos testes com o veículo no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Do total a ser aplicado na operação de lançamento, segundo o diretor, ainda faltam R$ 700 mil. O VLS é um foguete convencional que usa combustíveis sólidos nos seus quatro estágios de vôo. Tem 19 metros de comprimento e massa de decolagem de 50 toneladas, com capacidade para colocar em órbita satélites de até 350 quilos, em altitudes de 1000 km. O desenvolvimento do foguete já consumiu, ao longo dos últimos 20 anos, mais de US$ 300 milhões, incluindo instalações, laboratórios e capacitação de pessoal. O foguete levará à bordo um satélite experimental desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As partes principais do foguete e os motores do primeiro, segundo e terceiro estágios de vôo já foram transportadas para a base de Alcântara. Este será o terceiro protótipo do VLS a ser lançado pelo CTA. O último deles, lançado em outubro de 1999, teve um problema no sistema a acondicionamento de combustível. O CTA pretende transferir a tecnologia de foguetes para a indústria nacional. Um consórcio de nove empresas do setor aeroespacial firmou uma parceria com o CTA para estudar as alternativas de industrialização do VLS. O projeto foi apresentado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que poderá financiar 70% da iniciativa. A transferência de tecnologia também deverá incluir os foguetes de sondagem do CTA, veículos de menor porte usados em pesquisas de microgravidade no espaço. O Brasil já lançou, com sucesso, vários experimentos científicos e tecnológicos em cooperação com os Estados Unidos e a Alemanha, utilizando os foguetes de sondagem do CTA.