Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Críticas a santuários de baleias

Publicado em 15 fevereiro 2005

O mundo tem apenas duas grandes áreas de proteção às baleias, uma localizada no Oceano Índico e outra ao redor da Antártica. Diversas outras foram idealizadas, mas não saíram do papel. Criados em 1946 pela Comissão Internacional de Pesca da Baleia (IWC), os dois santuários, que cobrem quase 50 milhões de quilômetros quadrados cada, acabam de passar por uma avaliação científica. Os resultados são negativos.
Um estudo realizado por Leah Gerber, da Universidade do Estado do Arizona, e David Hyrenbach, da Universidade de Duke, nos EUA, em conjunto com Mark Zacharias, da Universidade de Vitória, no Canadá, levantou quatro problemas graves nos santuários. De acordo com os cientistas, as zonas de proteção têm se mostrado ineficientes, especialmente em relação às espécies migratórias.
O primeiro ponto é o das fronteiras arbitrárias dessas áreas. O segundo diz respeito ao foco estreito da política de proteção, que não se preocupa com a poluição das águas, por exemplo. Além disso, segundo a grande revisão feita a pedido da própria IWC, os desenhos dos santuários são muito estáticos e foram feitos sem considerar importantes critérios ecológicos.
"O que sugerimos como conclusão da pesquisa é que o funcionamento de tais santuários precisa estar assentado em bases ecológicas sólidas. Isso deve ser combinado com um plano de manejo também criado a partir de critérios científicos", diz Leah. Para a pesquisadora, que afirma concordar com a moratória em vigor - apesar das falhas, a própria permissão científica para a pesca da baleia deveria ser suspensa.
Um dos problemas levantados pelo estudo é que alguns critérios acabam sendo mais políticos do que científicos. "Alguns países estão pescando dentro dos santuários sob a chancela científica. Em compensação, nações que não são pescadoras de baleias por tradição procuram estabelecer novos santuários como forma de criar uma reserva de mercado", explica a cientista americana.
O término da permissão científica da pesca das baleias deverá reinstalar o valor das pesquisas nos santuários criados pela IWC. (Agência FAPESP)